Física americana de origem cubana construiu avião na adolescência e pesquisa união entre relatividade e física quântica
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Reprodução Instagram
Desde criança, Sabrina Pasterski olha para o céu em busca de respostas. A física americana de origem cubana começou a demonstrar interesse por aviação ainda na infância e, aos 12 anos, ganhou dos pais um kit para montar um avião monomotor. O que poderia ser apenas um brinquedo se transformou em um projeto científico: ela construiu a aeronave, registrou vídeos explicando conceitos de física e, quatro anos depois, aos 16, realizou seu primeiro voo solo. A trajetória fez com que ela passasse a ser chamada de “Nova Einstein”.
A história de Sabrina começou em uma escola pública de Chicago e posteriormente a levou ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e à Universidade Harvard. Durante a carreira, ela também realizou estágios em empresas e instituições ligadas à aviação e ao setor espacial, como Boeing, NASA e Blue Origin. Um de seus primeiros trabalhos publicados chegou a chamar a atenção do físico britânico Stephen Hawking.
Apesar da paixão pelos aviões, o principal objetivo da pesquisadora passou a ser compreender as leis que governam o universo. Seu trabalho está relacionado a um dos grandes desafios da física moderna: encontrar uma forma de aproximar a teoria da relatividade, formulada por Albert Einstein, da física quântica, que descreve o comportamento das partículas em escala microscópica. As duas teorias são fundamentais para a compreensão da natureza, mas ainda não foram reunidas em uma única descrição.
A relatividade mudou a maneira como o espaço e o tempo são compreendidos ao estabelecer a ideia de espaço-tempo, formado por três dimensões espaciais e uma temporal. Já a física quântica descreve fenômenos do mundo microscópico e está relacionada ao funcionamento de diversas tecnologias presentes no cotidiano, como celulares, computadores e fones de ouvido. O problema é que unir matematicamente essas duas formas de descrever o universo envolve cálculos extremamente complexos.
É nesse ponto que entra a pesquisa de Sabrina. Ela trabalha com uma proposta conhecida como holografia celestial, que procura representar matematicamente fenômenos ocorridos em um universo de quatro dimensões por meio de uma estrutura em duas dimensões. A ideia pode ser comparada ao princípio de um holograma, no qual uma representação bidimensional contém informações capazes de produzir uma imagem com aparência tridimensional. No trabalho da pesquisadora, essa descrição utiliza uma chamada esfera celeste.
A astrofísica Lia Medeiros, da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee, explica que a proposta permite descrever matematicamente fenômenos do espaço-tempo em quatro dimensões utilizando uma estrutura bidimensional. A pesquisa é liderada por Sabrina no Instituto Perimeter de Física Teórica, em Waterloo, no Canadá. O objetivo é investigar se, na fronteira de um sistema gravitacional, existe outro sistema dinâmico que apresente uma física equivalente e permita realizar cálculos.
Por enquanto, a holografia celestial permanece no campo das descrições matemáticas e representa uma tentativa de encontrar novas maneiras de lidar com problemas considerados extremamente complexos. A trajetória de Sabrina, entretanto, mantém como característica a mesma curiosidade que marcou sua infância: a menina que sonhava com uma vassoura voadora, construiu um avião e voou sozinha aos 16 anos agora dedica sua carreira a investigar algumas das questões mais profundas sobre o funcionamento do universo e o lugar da humanidade nele.
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