Geadas mantêm produtores em alerta no Sul de Minas, mas impactos nas lavouras seguem limitados
17 de jul.
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Após dois dias consecutivos de geadas em cidades do Sul de Minas, 54 municípios permaneceram sob alerta de perigo para o fenômeno na quinta-feira (16), conforme aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão indicava temperaturas mínimas de até 3°C durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, com risco de danos às plantações.
Apesar das paisagens típicas do inverno, o avanço do frio aumentou a preocupação entre os produtores rurais. Até o momento, porém, não haviam sido registrados prejuízos expressivos nas principais culturas da região, embora lavouras de café, morango, hortaliças e batata permaneçam entre as mais vulneráveis às baixas temperaturas.
Segundo a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet, a geada se forma quando há temperaturas muito baixas, massa de ar frio e seco, céu limpo, ventos fracos e baixa umidade do ar. Essas condições são comuns no Sul de Minas devido à influência das massas de ar polar e da Serra da Mantiqueira.
Entre os municípios mais conhecidos pelo frio está Maria da Fé, localizada a 1.258 metros de altitude. De acordo com a pesquisadora da Epamig, Flávia Fernanda Azevedo Fagundes, o inverno de 2026 seguiu dentro da normalidade para a cidade. A primeira geada do ano foi registrada em 8 de junho, e novos episódios ocorreram ao longo de julho, incluindo o do dia 14, quando a temperatura chegou a -3°C, a menor do ano no município. No dia seguinte também houve geada, porém com menor intensidade.
Segundo o pesquisador da Epamig Gabriel Koch, os efeitos variam conforme a cultura. Hortaliças de folhas e morangos estão entre as mais sensíveis ao frio. A batata também pode sofrer danos nas folhas, comprometendo o desenvolvimento dos tubérculos. Já as oliveiras apresentam maior resistência, enquanto o café pode registrar queimaduras nas folhas, morte de ramos e reflexos na safra seguinte quando as geadas são mais intensas.
Mesmo assim, Gabriel Koch afirmou que ainda não havia levantamento indicando perdas significativas nas principais culturas da região. Os episódios registrados neste inverno foram considerados dentro da normalidade e, até o momento, provocaram apenas impactos pontuais.
O presidente da Câmara de Alimentos e Bebidas, Vinícius Dantas, também avaliou que as geadas deste ano não causaram prejuízos relevantes, mas destacou que o setor continua atento por causa do histórico de 2021, quando uma forte onda de frio afetou lavouras de café, hortaliças, frutas e viveiros de mudas.
De acordo com o Inmet, as condições favoráveis para formação de geadas permaneceriam até sexta-feira (17), com redução do risco a partir do fim de semana e sem previsão de novas massas de ar frio na semana seguinte.
Especialistas ressaltam que os produtores da região convivem há décadas com esse fenômeno e utilizam estratégias como escolha de variedades mais resistentes, planejamento do calendário de plantio, uso de estufas e acompanhamento constante das previsões meteorológicas. Ainda assim, geadas mais intensas continuam representando risco para as lavouras, principalmente nas fases mais sensíveis do desenvolvimento das plantas.
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