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Google fará primeiro teste de chips de inteligência artificial no espaço com o Projeto Suncatcher

há 1 dia
3 min de leitura


A Alphabet, empresa controladora do Google, anunciou que pretende lançar na próxima semana um satélite protótipo equipado com chips de inteligência artificial em seu primeiro teste em órbita do Projeto Suncatcher. A iniciativa busca avaliar se o espaço poderá, no futuro, ser utilizado para abrigar uma infraestrutura de computação de inteligência artificial em larga escala.

A missão está prevista para ocorrer durante o próximo voo compartilhado Transporter-18, da SpaceX, em parceria com a empresa de satélites Planet Labs. O satélite será colocado em órbita terrestre baixa e levará Unidades de Processamento Tensorial (TPUs), chips desenvolvidos pelo Google especificamente para tarefas de inteligência artificial.

O principal objetivo do teste será verificar como os componentes se comportam diante das condições encontradas no espaço. Entre os fatores que serão analisados estão as forças e vibrações do lançamento, a radiação e as temperaturas extremas presentes na órbita terrestre baixa.

A radiação espacial representa um dos desafios para equipamentos eletrônicos. Ela pode interferir no funcionamento dos componentes e provocar erros nos dados, conhecidos como inversões de bits.

O Google já realizou testes com suas TPUs em solo, incluindo experimentos em uma instalação da Universidade da Califórnia, em Davis. Nesses testes, os chips foram submetidos a cargas de trabalho de inteligência artificial enquanto eram expostos a condições destinadas a simular parte dos efeitos da radiação espacial.

A empresa afirma, porém, que somente um teste em órbita poderá mostrar como os chips se comportam em um ambiente espacial real. O lançamento permitirá coletar dados sobre o desempenho do hardware e identificar possíveis pontos de falha.

Outro desafio será o resfriamento dos chips. Os processadores utilizados em tarefas de inteligência artificial consomem grandes quantidades de energia e produzem calor. No espaço, porém, não existe circulação de ar para realizar o resfriamento convencional utilizado em instalações terrestres.

Para enfrentar esse problema, o Google desenvolveu um sistema que combina tubos de calor e radiadores. O objetivo é transferir o calor produzido pelos chips para os radiadores, que poderão dissipá-lo no espaço.

A empresa também já testou esse sistema em uma câmara de vácuo térmico, criada para reproduzir condições semelhantes às encontradas fora da atmosfera terrestre. O comportamento do sistema de resfriamento será novamente avaliado durante a missão.

O Projeto Suncatcher faz parte de uma pesquisa de longo prazo do Google sobre a possibilidade de utilizar satélites para realizar processamento de inteligência artificial. Uma das ideias estudadas é formar, no futuro, conjuntos de satélites equipados com chips de IA e conectados entre si por meio de comunicações a laser de alta velocidade.

A expectativa é que futuros projetos possam transportar dezenas de TPUs em cada satélite, formando grupos capazes de processar cargas maiores de inteligência artificial. Para isso, os equipamentos precisariam manter conexões de alta largura de banda entre os satélites.

Essa etapa de comunicação deverá ser testada em uma missão prevista para 2027, quando o Google pretende colocar dois satélites em órbita para avaliar as conexões ópticas entre eles.

Apesar dos planos, a utilização comercial de centros de processamento de inteligência artificial no espaço ainda enfrenta obstáculos técnicos e financeiros. Os custos de lançamento, as dificuldades de engenharia, a produção de satélites e o gerenciamento do calor estão entre os desafios que precisam ser solucionados.

A primeira missão do Suncatcher não pretende demonstrar um centro de dados orbital em funcionamento. O objetivo é coletar informações sobre o desempenho dos equipamentos no espaço, identificar problemas e utilizar os resultados para aperfeiçoar projetos futuros.

O teste representa a primeira etapa prática do projeto para avaliar se chips desenvolvidos para processamento de inteligência artificial em computadores terrestres podem operar de maneira confiável em órbita.

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