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Incêndio na UFPE afeta cerca de 200 teses e dissertações, e MEC prorroga bolsas de pesquisadores

há 8 horas
3 min de leitura
Reprodução
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O incêndio que destruiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, comprometeu cerca de 200 teses e dissertações de pós-graduação que estavam em andamento nos laboratórios atingidos. Para evitar que os pesquisadores sejam prejudicados pela perda de materiais e pela interrupção das atividades, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a prorrogação das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, além da construção de um novo edifício para abrigar os laboratórios destruídos.

As medidas foram anunciadas na quinta-feira (8) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante uma visita à universidade. O incêndio começou na noite de quarta-feira (7) e atingiu o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), onde funcionavam diferentes estruturas de pesquisa científica.

Segundo o ministro, a prioridade é garantir a continuidade dos estudos e impedir que os estudantes percam a oportunidade de concluir seus trabalhos acadêmicos. A universidade também deverá receber apoio para recuperar os equipamentos destruídos pelas chamas.

O novo edifício terá aproximadamente 7 mil metros quadrados, mais que o dobro da área da estrutura atingida, e a construção está orçada em R$ 28 milhões. O início das obras está previsto para depois da conclusão da perícia e das investigações sobre as causas do incêndio.

Além da reconstrução, o MEC anunciou que os equipamentos perdidos serão repostos, em articulação com outros ministérios que mantinham investimentos e atividades nos laboratórios. A estimativa inicial é de que os prejuízos totais do incêndio cheguem a R$ 100 milhões, considerando instalações, equipamentos, insumos e materiais científicos.

Pesquisas sobre doenças e medicamentos foram afetadas

O prédio abrigava laboratórios ligados às áreas de fármacos, genética, informática e computação, incluindo o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit). As equipes desenvolviam estudos relacionados a diferentes áreas da ciência e da saúde, incluindo pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e autismo.

A destruição dos materiais representa uma perda significativa para pesquisadores que dedicaram anos ao desenvolvimento de projetos científicos. Parte dos trabalhos dependia de equipamentos, amostras e dados acumulados durante períodos prolongados.

De acordo com a reitoria, aproximadamente 200 dissertações e teses estavam em andamento nos laboratórios atingidos. A preocupação é assegurar condições para que mestrandos, doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado consigam continuar suas atividades, mesmo diante da perda da estrutura física e de materiais utilizados nos estudos.

Além da prorrogação das bolsas, estudantes que estão na etapa final do doutorado poderão participar de oportunidades de doutorado-sanduíche no exterior, em laboratórios de países que se comprometeram a apoiar a universidade. Também existe a possibilidade de continuidade de parte das pesquisas em outras instituições brasileiras.

Polícia Federal investiga as causas do incêndio

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do incêndio e identificar o que provocou o fogo. A investigação busca esclarecer tanto a origem das chamas quanto a dinâmica dos acontecimentos que antecederam o incidente.

A universidade também solicitou apuração de mensagens com ameaças que circularam antes do incêndio. O caso passou a ser acompanhado pelas autoridades, mas ainda não há confirmação de que as ameaças estejam relacionadas ao fogo que destruiu os laboratórios.

A avaliação técnica do prédio é necessária para que os peritos possam trabalhar com segurança. A estrutura sofreu danos significativos, especialmente na parte superior, e a perícia foi interrompida após a identificação da necessidade de escoramento antes da continuidade dos trabalhos.

O incêndio foi o terceiro registrado em instalações da UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, houve um foco de fogo no Departamento de Física. No dia 4 de outubro, outro incêndio atingiu o laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Não houve feridos nos três episódios.

Enquanto as investigações prosseguem, a universidade e o Ministério da Educação trabalham para recuperar a infraestrutura destruída, repor equipamentos e garantir que os estudantes e pesquisadores afetados possam dar continuidade aos projetos científicos.

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