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Jovem perde movimentos após passar mal em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga caso

há 1 hora
4 min de leitura
Imagem ilustrativa
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Uma jovem de 28 anos perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após passar mal durante um passeio na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Júlia Bossoni sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE), precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência e permaneceu 57 dias internada. O caso aconteceu em abril deste ano e passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que solicitou uma perícia policial na atração.

Júlia e o marido, João Pedro Bossoni, viajaram de Londrina, no Paraná, até Vinhedo para passar o dia no parque. Segundo o relato do marido, o casal já havia utilizado a Montezum uma primeira vez naquele dia, sem que houvesse qualquer problema. Mais tarde, os dois decidiram voltar à atração.

A Montezum é uma montanha-russa de madeira inaugurada em 1999. A atração tem aproximadamente 42 metros de altura, mais de um quilômetro de extensão e pode alcançar 103 km/h.

Na segunda vez em que Júlia entrou no brinquedo, ela e o marido ficaram em um dos bancos traseiros. Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem consciente durante o início do percurso. Não há imagens de todo o trajeto da montanha-russa, mas, cerca de dois minutos depois, quando o carrinho retornou à plataforma, Júlia estava desacordada.

De acordo com João Pedro, a mulher já apresentava convulsões quando o brinquedo chegou à estação. Funcionários do parque prestaram atendimento e, aproximadamente seis minutos depois, Júlia foi retirada da atração em uma maca e encaminhada para atendimento médico.

A jovem foi levada para a Santa Casa de Vinhedo e encaminhada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os exames identificaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Diante da gravidade do quadro, ela precisou passar por uma craniectomia descompressiva, procedimento realizado para permitir a expansão do cérebro em razão do inchaço.

O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico. Segundo o laudo médico citado pela reportagem, a lesão ocorreu por um mecanismo de contragolpe durante o passeio. O neurocirurgião Victor Batistela explicou que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça podem provocar a ruptura de vasos sanguíneos, levando a uma hemorragia intracraniana e ao edema cerebral.

Júlia permaneceu internada durante 57 dias. Segundo a família, depois do acidente ela perdeu completamente os movimentos do braço e da perna esquerdos. Também passou a apresentar dificuldades de fala e alterações de memória. Cinco meses após o episódio, ela ainda estava em processo de recuperação e já havia passado por sete cirurgias.

A família informou que Júlia não tinha doenças pré-existentes. A mãe e o marido se revezam nos cuidados durante o processo de recuperação. As imagens da jovem durante a reabilitação não foram divulgadas a pedido dos familiares.

Investigação do Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo abriu, em agosto, uma investigação para apurar as circunstâncias do caso e solicitou uma perícia policial na Montezum. A família de Júlia também recorreu à Justiça para buscar esclarecimentos sobre o que aconteceu durante o passeio. O processo ainda está em andamento.

O episódio também levou a reportagem a apresentar relatos de outras pessoas que afirmam ter sofrido lesões após utilizar a mesma montanha-russa. Entre os casos mencionados está o de uma mulher que sofreu um deslocamento de vértebras em 2018 após um movimento brusco do equipamento. Segundo o relato apresentado, ela perdeu parte da mobilidade do pescoço e recebeu indenização do parque.

Outro caso citado ocorreu em 2014, quando um homem ficou tetraplégico após um acidente na Montezum. Ele morreu em 2023 em decorrência de complicações relacionadas a uma infecção urinária, segundo a reportagem.

Também foram identificados cerca de 40 registros, nos dois anos anteriores, em uma plataforma de avaliação de consumidores, com relatos de pessoas que afirmam ter sofrido algum tipo de lesão após utilizar a atração. As reclamações mencionadas incluem dores no pescoço, problemas no joelho e fraturas nas costelas. Os registros, porém, são relatos de usuários e não equivalem, por si só, a confirmações de que as lesões tenham sido causadas pela atração.

O que diz o Hopi Hari

Em nota o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções periódicas. O parque declarou também que segue as normas nacionais aplicáveis aos equipamentos de parques de diversões, incluindo a ABNT NBR 15926-2023.

Segundo o parque, as inspeções da Montezum são realizadas anualmente por se tratar de uma atração radical, enquanto outros brinquedos de menor complexidade passam por inspeções bianuais. O Hopi Hari também afirmou que mantém procedimentos diários de segurança, treinamento de funcionários e protocolos de atendimento aos visitantes.

A empresa disse ainda que os visitantes recebem informações sobre o funcionamento da atração, suas características e restrições por meio de placas, avisos sonoros e orientações dos operadores antes do embarque. Entre as contraindicações informadas estão problemas na coluna, gravidez e determinadas condições clínicas.

O parque também declarou que, entre janeiro de 2026 e o período mencionado na reportagem, aproximadamente 470 mil pessoas haviam utilizado a Montezum, dentro de um público de cerca de 870 mil visitantes do parque no mesmo período.

Sobre o caso de Júlia, o Hopi Hari afirmou que ela recebeu atendimento imediato seguindo os protocolos de segurança. Segundo o parque, a jovem foi atendida inicialmente no ambulatório e depois encaminhada à Santa Casa de Vinhedo. A direção informou que acompanhou a internação em contato com os familiares e custeou despesas durante a permanência da jovem na cidade. O parque também afirmou que disponibilizou um seguro à família.

O Hopi Hari citou ainda um parecer emitido pelo Ministério Público em agosto, referente a outro episódio envolvendo uma visitante, no qual, segundo o parque, não foram identificados risco coletivo, defeito de projeto ou negligência na operação da Montezum naquele contexto.

Enquanto a perícia solicitada pelo Ministério Público está em andamento, a investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram Júlia a sofrer o traumatismo cranioencefálico durante o passeio na montanha-russa. A jovem segue em processo de reabilitação para tentar recuperar os movimentos afetados.

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