Mais de 500 mortos, 71 menores de idade: relatório de 4 anos aponta 87 autoridades iranianas que devem ser investigadas
16 de set.
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A Anistia Internacional divulgou nesta quarta-feira (16) relatório no qual conclui que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade ao reprimir protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, em setembro de 2022. A jovem curda de 22 anos faleceu sob custódia da chamada polícia da moralidade, que a deteve por supostamente descumprir regras de vestimenta. O caso deu origem a meses de manifestações que se tornaram o maior movimento de oposição ao regime em décadas, com mulheres e jovens na linha de frente pedindo o fim do governo clerical instalado em 1979.
Segundo o levantamento, mais de 500 pessoas foram mortas — entre elas 71 menores de idade —, centenas ficaram feridas e milhares foram detidas. A organização identificou 87 autoridades que, por ação ou omissão, devem ser investigadas por crimes que incluem homicídio, tortura, desaparecimento forçado, estupro e perseguição por motivos políticos, de gênero, étnicos e religiosos. A secretária-geral da Anistia, Agnes Callamard, destacou que a violência não foi praticada por agentes isolados, mas por um "sistema institucionalizado".
A pesquisa levou quatro anos e reuniu depoimentos de 270 pessoas — manifestantes, familiares de vítimas, testemunhas, jornalistas e ex-detentos — além de análise de milhares de vídeos, documentos oficiais e materiais vazados. A Anistia pede agora que a Assembleia Geral da ONU crie um mecanismo internacional de justiça penal para investigar e julgar os responsáveis.
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