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Milhões nas campanhas: veja quem são os maiores doadores dos candidatos à Presidência

há 5 dias
6 min de leitura
Reprodução
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As campanhas dos seis principais candidatos à Presidência da República já receberam mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas. Os dados, levantados a partir dos registros de receitas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram atualizados até terça-feira (22) e podem sofrer alterações conforme novos repasses sejam declarados à Justiça Eleitoral.

Entre os candidatos analisados estão Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Lula (PT), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Até o momento, Flávio Bolsonaro havia declarado R$ 2,9 milhões em doações de pessoas físicas. Caiado registrou R$ 2,5 milhões, enquanto Renan Santos recebeu R$ 2,2 milhões. Lula aparece com R$ 1,4 milhão, Augusto Cury com R$ 562 mil e Romeu Zema com R$ 300 mil.

As contribuições precisam ser identificadas e rastreáveis. Entre os casos de maior valor está o do empresário Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, empresa sediada em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Ele fez uma doação de R$ 500 mil tanto para a campanha de Flávio Bolsonaro quanto para a de Lula. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a empresa é a maior produtora de biodiesel do Brasil.

Battistella afirmou, em nota, que os repasses foram realizados como pessoa física e dentro dos limites previstos pela legislação eleitoral.

O perfil dos doadores varia de acordo com cada candidatura. Na campanha de Flávio Bolsonaro, aparecem principalmente empresários e produtores rurais. A família Verdi, acionista do Grupo Rodobens, fez contribuições que totalizaram R$ 300 mil. Também aparecem Marco Antônio Branquinho Junior e Marcel Yoshimi Imaizumi, respectivamente CEO e diretor de Novos Negócios da Vicunha Têxtil, fabricante de jeans, com R$ 125 mil e R$ 100 mil.

Entre os demais doadores de Flávio estão Taicia Fofanoff, produtora rural de cana-de-açúcar, com R$ 122 mil; Inácio José Webler, produtor de soja, com R$ 100 mil; Rodrigo Pizzinatto, CEO da Ultrapar, também com R$ 100 mil; Alexandre Ribeiro Chequer, empresário e advogado, com R$ 120 mil; e Antonio Morais dos Santos Junior, produtor rural, com R$ 69 mil.

Walter Schlatter, prefeito de Chapadão do Sul (MS) e filiado ao PP, fez uma contribuição de R$ 300 mil por meio de Pix. Waldemar Verdi Junior, presidente do Grupo Rodobens, doou R$ 180 mil. Outros dois integrantes da família Verdi, Beny Maria Verdi Haddad e Rosy Lavínia Roquette Verdi, contribuíram com R$ 70 mil e R$ 50 mil, respectivamente.

Flávio também recebeu R$ 27 mil do filho do deputado federal Alfredo Gaspar, seu colega de chapa, e declarou R$ 13 mil em doações para a própria campanha. Daniella Marques, coordenadora econômica da candidatura e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, aparece com uma contribuição de R$ 75 mil referente a serviços de assessoria econômica.

Doações para Lula

Na campanha de Lula, a maior contribuição individual registrada até agora também é a de R$ 500 mil feita por Erasmo Carlos Battistella. A candidatura ainda declarou pelo menos R$ 118 mil obtidos por meio de financiamento coletivo.

Pedro Pereira de Freitas, diretor-presidente da Allseg Seguradora, contribuiu com R$ 90 mil. Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha e advogado de Lulinha, doou R$ 50 mil.

Jones Alexandre Barros Soares, diretor de Transporte Marítimo, Dutos e Terminais da Transpetro, empresa ligada à Petrobras, contribuiu com R$ 40 mil. O mesmo valor foi doado por Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, doutoranda em enfermagem na Universidade de São Paulo.

Parte das receitas declaradas pela campanha de Lula corresponde a serviços prestados. O pastor e cantor gospel Kleber Lucas, por exemplo, declarou R$ 30 mil pela gravação de áudio de jingle e clipe da campanha.

Juliana Aporta Gaspar declarou R$ 17 mil em serviços de planejamento e desenvolvimento de estratégias. Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas, secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, registrou R$ 10 mil pela participação como palestrante em um evento da campanha.

Também aparecem contribuições financeiras de pessoas ligadas ao governo e ao PT. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, transferiu R$ 24 mil. Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, ex-deputado federal e ex-ministro do governo Dilma Rousseff, doou R$ 17 mil, mesmo valor enviado por Fernando Paes de Carvalho, ex-diretor da Petros. O professor da Fundação Getulio Vargas Rabih Nasser contribuiu com R$ 15 mil.

Caiado recebe maior doação individual

Ronaldo Caiado recebeu a maior contribuição individual registrada até agora para um candidato à Presidência. O jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, dono de um cartório de registro de imóveis no Distrito Federal, doou R$ 2,3 milhões.

O valor foi dividido em três transferências por Pix: R$ 750 mil em 27 de agosto, outros R$ 750 mil no dia seguinte e R$ 800 mil em 31 de agosto.

Segundo os registros do TSE, a contribuição representa 34,6% das receitas recebidas por Caiado até aquele momento. A principal fonte de recursos da campanha, porém, é a Direção Nacional do PSD, responsável por R$ 6,9 milhões, ou 73,4% do total bruto.

Outras dez pessoas físicas fizeram doações que, juntas, somam R$ 225 mil, com valores individuais entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. Entre elas estão o deputado federal Arnaldo Jardim; Cristiane Alckmin Junqueira Schmidt, presidente da MSGás; Hideo Augusto Dendini, subsecretário de gestão corporativa da Secretaria de Governo e Relações Institucionais de São Paulo; Aldo Rebelo, coordenador da campanha; Roberto Brant, ex-deputado federal e ex-ministro; Alexandre Gajardoni, assessor de imprensa de Caiado e do PSD; Carlos Koji Takahashi; Everaldo Teixeira Dourado Júnior; José Eduardo Martelli; e Samuel Claudio da Silva.

Augusto Cury é principal doador da própria campanha

Augusto Cury é o principal financiador da própria candidatura. O candidato do Avante declarou uma contribuição de R$ 350 mil.

Na sequência aparecem o empresário Jangiê Diniz, com R$ 100 mil, e Wilson de Matos Silva, fundador e reitor da Unicesumar, universidade da qual Cury foi sócio, com R$ 60 mil.

Cury também declarou R$ 35 mil referentes ao serviço de coordenação financeira prestado por Sergio Adriano Soares Vita. O deputado estadual de Minas Gerais Noraldino Junior, do PSB, contribuiu com R$ 15 mil.

Renan Santos tem financiamento coletivo como principal fonte

Na campanha de Renan Santos, do Missão, o financiamento coletivo representa a principal parcela das receitas. O candidato havia declarado cerca de R$ 1,9 milhão obtido por meio de contribuições coletivas.

Fora desse mecanismo, Danilo Julio Gatto, presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí, em Minas Gerais, contribuiu com R$ 50 mil.

Os filhos do ex-presidente do Banco Safra José Olympio Pereira, José Antônio Israel da Veiga Pereira e José Thomaz Israel da Veiga Pereira, também fizeram contribuições de R$ 50 mil cada, totalizando R$ 100 mil.

O restante dos recursos veio de centenas de apoiadores, com contribuições que variam de R$ 4 mil a valores menores.

Zema recebeu R$ 300 mil de pessoas físicas

Romeu Zema, do Novo, recebeu três grandes contribuições de pessoas físicas. A maior delas foi feita por Renato Ribeiro Machado, conselheiro de administração e acionista da U&M Mineração e Construção, que transferiu R$ 200 mil.

Os irmãos Hélio Seibel e Salo Davi Seibel contribuíram com R$ 50 mil cada, totalizando R$ 100 mil. Os dois são donos do antigo Grupo Ligna, uma holding de investimentos atualmente chamada HS Investimentos.

O grupo controla empresas como Dexco, do setor de materiais de construção; Leo Madeiras, distribuidora de materiais para marcenaria; Ligna Engenharia e Meio Ambiente, de consultoria ambiental; e Apolo Energia, de fornecimento e comercialização de energia.

Segundo os dados apresentados na reportagem, Hélio e Salo Seibel também fizeram doações para outros 15 candidatos, mas Zema é o único presidenciável entre eles.

A principal fonte de recursos da campanha de Zema, entretanto, não são as doações de pessoas físicas. A Direção Nacional do Novo repassou R$ 4,1 milhões, enquanto a direção estadual do partido em Minas Gerais enviou R$ 96 mil.

Como funcionam as doações eleitorais

Candidatos e partidos podem arrecadar recursos até o dia da eleição. Depois disso, a arrecadação só pode continuar para quitar despesas de campanha já realizadas, mas que ainda não tenham sido pagas.

As doações não precisam necessariamente ocorrer em dinheiro. Pessoas físicas também podem ceder bens ou prestar serviços gratuitamente às campanhas. Esses valores são registrados como “doações estimáveis em dinheiro”.

Segundo Márcio Nogueira, especialista em Direito Eleitoral e Digital e presidente da OAB de Rondônia, doações em dinheiro são limitadas a 10% dos rendimentos brutos obtidos pelo doador no ano anterior à eleição.

No caso de bens e serviços, o limite é de até R$ 40 mil por doador; acima desse valor, aplica-se o limite de 10% dos rendimentos. A legislação também determina que os bens pertençam ao próprio doador e que os serviços sejam prestados por ele. O valor declarado deve ser compatível com os preços praticados no mercado.

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