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Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte público de São Paulo

17 de set.
3 min de leitura
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de um mandado de prisão em uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. A ação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Batizada de Operação Vectura Corrupta, a ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Milton Leite está entre os alvos dos mandados de prisão. A investigação apura possíveis relações entre integrantes da organização criminosa, empresas de transporte, contratos públicos e agentes políticos.

Segundo os investigadores, Milton Leite é citado nominalmente como responsável direto pela operação de algumas empresas que seriam controladas pelo PCC. A apuração também reúne elementos sobre a atuação do político no setor de transporte e possíveis vínculos com empresas investigadas.

Entre os elementos analisados estão informações obtidas em outras investigações e interceptações. A investigação também menciona declarações de policiais militares prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. Segundo os investigadores, esses depoimentos apontariam Milton Leite como proprietário de fato da Transwolff, empresa que já foi alvo de investigações relacionadas à atuação do PCC. As acusações são objeto da investigação, e Milton Leite nega envolvimento com a organização criminosa.

O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, também está entre os alvos de mandado de prisão. Conforme o MPSP, ele é investigado por tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte. A operação é um desdobramento de uma investigação anterior, denominada Operação Decurio, realizada em agosto de 2024.

A apuração do Ministério Público aponta ainda que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A investigação sustenta que a atuação da facção teria ultrapassado o tráfico de drogas e alcançado empresas de transporte, contratos públicos, articulações políticas e movimentações financeiras.

A operação ocorre enquanto os investigadores aprofundam uma apuração sobre a possível presença de integrantes e intermediários da organização criminosa dentro de empresas que participam do sistema de transporte público. Entre as empresas citadas nas investigações está a Transwolff, que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em 2024.

Além do setor de transporte, a investigação também analiza possíveis conexões entre integrantes do PCC, empresários, advogados e agentes políticos. Um dos personagens apontados pelos investigadores como integrante relevante dessa estrutura é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, que seria responsável por intermediar interesses entre integrantes da facção e pessoas ligadas a diferentes setores.

A apuração atual também tem como alvo Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e posteriormente lançou candidatura a deputado estadual. Os investigadores apuram possíveis vínculos dele com integrantes do PCC e suspeitas relacionadas ao financiamento de campanha.

A investigação que deu origem à operação começou em 2024, depois que a Polícia Civil apreendeu cerca de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. A partir da análise de dados extraídos de um celular apreendido durante a apuração, investigadores identificaram possíveis integrantes de diferentes núcleos da organização criminosa e passaram a investigar sua atuação em outras áreas.

Em etapas posteriores, a investigação também alcançou uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria movimentado aproximadamente R$ 8 bilhões. A apuração avançou sobre possíveis mecanismos utilizados pelo grupo para movimentar recursos e estabelecer relações com administrações municipais.

Milton Leite encerrou sua trajetória como vereador em 2024, após sete mandatos na Câmara Municipal de São Paulo. Ele também presidiu o Legislativo paulistano em quatro ocasiões. Atualmente, continua atuando na política partidária e ocupa a presidência do União Brasil na cidade de São Paulo.

Após a deflagração da operação, Milton Leite afirmou que está viajando, negou estar foragido e declarou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, o ex-vereador também afirmou que pretende provar sua inocência diante das acusações.

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