Muralismo transforma muro da Copasa em galeria de arte a céu aberto em Varginha
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Projeto "Arte nas Águas de Minas" entrega três murais que unem a ancestralidade indígena de Manaus às memórias do Rio Verde e das lavadeiras locais.
Quem passa pela unidade da Copasa Varginha, localizado na Avenida Maria Paiva Pinto, 100, Vila Paiva, já nota a paisagem urbana transformada. No dia 30 de outubro, o muro da concessionária virou uma verdadeira galeria de arte a céu aberto com a entrega oficial do projeto Arte nas Águas de Minas.
A iniciativa, viabilizada pela Lei Rouanet com patrocínio da Copasa e gestão da APPA – Cultura & Patrimônio, chegou à sua 13ª cidade no estado unindo dois artistas locais e uma artista convidada do Amazonas.
Segundo a coordenadora da iniciativa, Gisele Milagres, o foco central é a democratização do espaço: "O mais importante é trazer a arte para a rua, torná-la acessível e fazer com que ela faça parte do cotidiano das pessoas, promovendo troca de vivências."
Três olhares sobre a água, a memória e a vida
Em Varginha, cada um dos três painéis explora a relação do ser humano com a água sob prismas distintos: Diretamente de Manaus (AM), a muralista Wira Tini (nome artístico de Sarah Ferreira, de 38 anos), pertencente ao povo indígena Kukama-Kukamiria, assina o painel "Kuarachi e Yatsi: O Ciclo do Sol e da Lua na Cosmovisão Kukama-Kukamiria". A pintura aborda os ciclos astronômicos como guias de tempo, espiritualidade e agricultura. "Trago para Varginha a visão do meu povo, que é o povo das águas: a relação do sol, da lua e da água com a prosperidade e a colheita. É a afirmação da água como elemento sagrado e vital para toda asociedade", afirma Wira.
Representando a produção artística varginhense, Kaká Chazz (37 anos) desenvolveu a obra "Raízes Invisíveis", inspirada no dourado, espécie nativa da bacia do Rio Verde. Com mais de 15 anos de atuação nas artes visuais, o artista destaca a intervenção no espaço público: "Gera impacto visual para a arquitetura e humaniza o trajeto de quem transita por aqui diariamente, convidando o cidadão a desacelerar e contemplar a cidade".
A também varginhense Dani Werneck (34 anos) assina "A Força da Raiz – Onde a Água Lembra", painel fruto de pesquisa sobre patrimônio afetivo e a história das lavadeiras que ocupavam nascentes e ribeirões da região. "A água guarda histórias e preserva conhecimentos transmitidos pelos nossos antepassados. Quis resgatar práticas que marcaram gerações de famílias mineiras para provocar identificação coletiva", pontua a artista.
Para Luiz Eduardo Carvalho Gomes, superintendente de Operações Sul da Copasa, a entrega conecta infraestrutura e sensibilização social: "O projeto entrelaça três pilares: arte, água e vida. Uma estrutura antes estática ganhou vida e diálogo direto com a comunidade".
Além dos murais permanentes no muro da concessionária, o projeto ofereceu oficinas práticas e gratuitas voltadas à formação artística e ao intercâmbio cultural com os moradores locais.






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