OCDE: 1 em cada 5 estudantes que entram no ensino médio no Brasil não conclui a etapa
há 5 horas
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O Brasil tem uma taxa de conclusão do ensino médio abaixo da média dos países analisados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o relatório Education at a Glance 2026, divulgado nesta terça-feira (29), 20% dos estudantes que ingressam no ensino médio no país não concluem a etapa e já não estavam matriculados dois anos depois do prazo previsto para a conclusão.
De acordo com os dados, 79% dos estudantes brasileiros que entram no ensino médio concluem a etapa até dois anos depois do tempo teórico previsto. Outros 1% ainda permaneciam matriculados nesse período, enquanto 20% não haviam concluído os estudos e já não estavam na escola.
Na média dos países analisados pela OCDE, 85% dos estudantes concluem o ensino médio até dois anos após o prazo previsto, seis pontos percentuais acima do índice brasileiro. O levantamento mostra, porém, diferenças importantes entre os países. A Dinamarca apresenta uma taxa de 75%, enquanto Canadá, Colômbia e Irlanda registram índices de 90% ou mais.
Diferença entre homens e mulheres
O relatório também aponta uma diferença significativa entre homens e mulheres na conclusão do ensino médio. Na média dos países avaliados, 14% dos homens deixam a etapa sem obter a qualificação, contra 10% das mulheres.
A OCDE calcula que as mulheres têm, em média, 7 pontos percentuais a mais de probabilidade de concluir o ensino médio do que os homens.
No Brasil, a diferença é ainda maior. 23% dos homens deixam o ensino médio sem diploma, segundo os dados apresentados no relatório. Esse é o maior percentual registrado entre os países analisados nessa modalidade de comparação.
Brasil e Israel também aparecem com uma das maiores diferenças entre homens e mulheres na taxa de abandono da educação geral, com 8 pontos percentuais de diferença entre os dois grupos.
Abandono é resultado de vários fatores
A OCDE destaca que a saída dos estudantes da escola geralmente não acontece por causa de um único acontecimento. O abandono tende a ser resultado de um processo acumulado de afastamento da educação.
Entre os fatores associados ao risco de abandono estão baixo desempenho escolar, faltas frequentes, falta de motivação, condições socioeconômicas e experiências educacionais anteriores.
O ambiente escolar também pode influenciar a permanência dos estudantes. De acordo com o relatório, práticas e condições dentro das escolas podem contribuir para o afastamento quando os alunos não se sentem apoiados. Políticas de repetência e uma oferta limitada de formação profissional também aparecem entre os fatores associados ao risco de abandono.
Escolaridade da população brasileira
O relatório mostra ainda uma redução na parcela de brasileiros jovens que não concluíram o ensino médio. Entre a população de 25 a 34 anos, 26% não haviam concluído essa etapa em 2024. Em 2016, o percentual era de 35%, uma redução de nove pontos percentuais no período.
Apesar da melhora, o Brasil continua apresentando diferenças importantes em relação aos países da OCDE em indicadores educacionais.
Em 2024, 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham ensino superior, enquanto a média entre os países da OCDE era de 43%.
Outro dado apresentado no levantamento indica que 22% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estavam empregados, estudando ou em treinamento em 2024. O percentual havia sido de 27% em 2016.
Professores e condições de trabalho
O Education at a Glance 2026 também reúne dados sobre os profissionais da educação. Em 2024/25, 9% dos professores do ensino fundamental e médio em instituições públicas brasileiras não eram totalmente qualificados, índice próximo da média de 9,1% registrada pela OCDE.
Na pesquisa TALIS 2024, utilizada pelo relatório, 11,5% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental haviam vindo de outras profissões, enquanto a média da OCDE era de 8,4%.
A satisfação dos docentes brasileiros com as condições de trabalho também ficou abaixo da média internacional. Nos anos finais do ensino fundamental, 44,3% dos professores brasileiros declararam estar satisfeitos com as condições de trabalho, sem considerar a remuneração, contra 68,4% na média da OCDE. Em relação aos salários, a satisfação foi de 22,3% no Brasil e 38,7% na média da organização.
O relatório Education at a Glance 2026 tem como foco especial a escassez de professores e reúne indicadores comparáveis sobre sistemas educacionais de países da OCDE e parceiros, incluindo dados de escolaridade, matrícula, financiamento e organização da educação.
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