Ofertas de máquinas agrícolas usadas crescem 45% até agosto, enquanto vendas de equipamentos novos recuam 22,4%
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O mercado de máquinas agrícolas usadas está em franca expansão no Brasil, enquanto as vendas de equipamentos novos registram forte retração. Dados da plataforma Sold Leilões mostram que as ofertas de máquinas e implementos usados aumentaram 45% no período de janeiro a agosto de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Na contramão, o setor industrial de equipamentos novos viu seu faturamento cair 22,4%, somando R$ 36,3 bilhões nos primeiros oito meses do ano, conforme levantamento da Abimaq. Em agosto, a receita líquida do ramo recuou 22,8%.
A procura por máquinas seminovas cresceu ainda mais: 83% no mesmo período, com alta de 60% no número de compradores e de 9% no valor geral de vendas, que passou de R$ 48,5 milhões para R$ 52,8 milhões. Segundo Ivo Mello, responsável pelo setor agro da plataforma, juros elevados, restrição de crédito e incerteza climática levam o produtor rural a buscar alternativas de menor desembolso. "O produtor está mais estratégico na hora de investir", avalia. Equipamentos seminovos podem apresentar descontos entre 40% e 60% em relação ao preço de um modelo novo, embora fatores como horas trabalhadas, histórico de manutenção e estado de conservação tornem a comparação mais complexa do que no mercado de automóveis.
Grandes empresas do agronegócio — entre elas Amaggi, Atvos, BP e Louis Dreyfus Company — estão entre os principais vendedores, ao renovarem frotas e investirem em manutenção preventiva. Mais de 60% dos compradores são pessoas físicas, predominantemente pequenos e médios produtores; cerca de 30% a 40% adquirem máquinas em estados diferentes de onde residem, e há compradores também de países vizinhos. Para 2027, a expectativa é de que o mercado secundário continue ganhando espaço, enquanto a indústria de equipamentos novos busca se reequilibrar.
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