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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 24/09/2026

há 3 minutos
2 min de leitura
Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo
QUEM ENTRE OS MORTAIS JAMAIS PRATICOU UMA CANALHICE, AINDA QUE PEQUENA?

Quem entre os mortais jamais praticou uma canalhice, ainda que pequena? Antes de responder, talvez seja prudente olhar para o próprio espelho, porque é muito fácil apontar o dedo para o canalha dos outros quando temos tanta dificuldade para reconhecer os nossos próprios deslizes.
Quem nunca mentiu para escapar de uma responsabilidade, nunca enganou alguém para levar vantagem, nunca foi injusto por conveniência, nunca falou mal de quem estava ausente ou nunca fez alguma coisa que, se viesse a público, preferiria negar?
A diferença é que alguns cometem uma canalhice, reconhecem, arrependem-se e tentam não repetir. Outros descobrem que a canalhice funciona. E, quando percebem que ninguém os puniu, transformam aquilo que era exceção em método, o método em hábito e o hábito em caráter.
O mais interessante é que quase ninguém se considera canalha. O sujeito pode passar a perna em alguém e chamar de esperteza; pode mentir e chamar de estratégia; pode trair a confiança alheia e dizer que foi obrigado pelas circunstâncias. Para os próprios erros, sempre existe uma explicação. Para os erros dos outros, quase sempre existe um julgamento.
E se o mundo fosse composto apenas por pessoas assim? Talvez não sobrasse confiança suficiente para sustentar sequer uma amizade, um casamento, uma sociedade ou um simples aperto de mão. Afinal, quando a honestidade desaparece, até um simples “bom dia” pode esconder uma segunda intenção - e, dependendo de quem o recebe, talvez seja prudente conferir se, ao apertar a mão, não se corre o risco de perder um dedo.
Talvez a proporção seja distante, mas, entre os chamados canalhas, também existem os justiceiros. Homens que, certos ou errados aos olhos da maioria, não têm medo de enfrentar o perigo e, em alguns casos, chegam a colocar a própria vida em risco por aquilo que acreditam ser uma causa justa. Há uma diferença enorme entre quem prejudica o outro por ganância e quem enfrenta o mundo por convicção, ainda que a história, dependendo de quem a conte, dê nomes diferentes a uns e a outros.
Mas existe algo ainda mais perigoso do que a pequena canalhice: é a consciência anestesiada. É quando a pessoa já não sente vergonha do que faz, não teme ser descoberta e ainda se considera esperta por conseguir enganar os outros.
Talvez a diferença entre um ser humano imperfeito e um verdadeiro canalha esteja justamente aí. O primeiro pode cair, errar e até decepcionar. O segundo aprende a conviver confortavelmente com a própria falta de caráter.
Por isso, antes de procurar os canalhas do mundo, talvez valha a pena procurar os nossos próprios pequenos pecados. Porque, se todos nós carregamos alguma imperfeição, ninguém deveria se apressar demais em ocupar o lugar de juiz.
E há uma última ironia: os maiores canalhas raramente se reconhecem como tais. Quase sempre acreditam que canalha é o outro.
Sou crédulo na misericórdia, na graça e na justiça de Deus - expressas na redenção, na caridade e no amor pela intervenção de Jesus Cristo. Assim, não consigo crer em um inferno eterno; no entanto, quando me dou conta das canalhices de que a humanidade é capaz, fico confuso.


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