Viu o Brasil mudar. Viu governos passarem. Viu épocas de esperança e também momentos de profunda decepção. Criou sua família, trabalhou, enfrentou dificuldades e acompanhou, durante décadas, a história do nosso país.
Aos 85 anos, o voto já não é uma obrigação para ele.
Mas, quando chega o dia da eleição, Sr. João se arruma, sai de casa e vai votar.
Certa vez, alguém lhe perguntou:
- João, com 85 anos, você ainda faz questão de votar?
Ele respondeu:
- Faço. E sabe por quê? Porque ainda me importo com o Brasil.
Talvez essa seja a parte mais bonita dessa história.
Sr. João não vai às urnas porque acredita que todos os candidatos são perfeitos. Ele sabe que não são.
Também não vai porque alguém o obriga.
Ele vai porque entende que votar é uma maneira de dizer:
“Eu ainda estou aqui. Ainda me importo. Ainda quero participar.”
Sr. João respeita quem pensa diferente. Respeita quem decide não votar e respeita quem escolhe anular seu voto.
Mas não consegue deixar de pensar nas pessoas que têm saúde, têm condições de sair de casa e podem exercer esse direito, mas preferem não participar.
Ele se pergunta:
Depois de uma vida inteira acompanhando a história do nosso país, como poderia simplesmente desistir de dar a sua opinião?
Aos 85 anos, talvez ele pudesse dizer que já fez a sua parte.
Mas não diz.
Ele pensa nos filhos.
Pensa nos netos.
Pensa nas crianças que ainda vão crescer neste país.
E pensa no Brasil que será deixado para as próximas gerações.
Por isso, quando perguntam se ainda vale a pena votar, Sr. João responde simplesmente:
— Enquanto eu tiver saúde para chegar até uma urna e consciência para fazer uma escolha, eu vou votar.
Não por obrigação.
Por cidadania.
Por respeito à própria história.
E, acima de tudo, porque ainda acredita no Brasil.
Talvez Sr. João seja apenas um personagem.
Mas a pergunta que ele nos deixa é muito real:
Se temos saúde, liberdade e o direito de participar, será que não vale a pena fazer uso desse direito?
A decisão pertence a cada cidadão.
Mas, para Sr. João, aos 85 anos, existe uma certeza:
Enquanto puder participar, ele não vai desistir do Brasil.
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