Pacientes de Varginha esperam por cirurgias eletivas enquanto fila ultrapassa 6 mil pessoas no Sul de Minas
há 4 horas
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Mais de 6 mil pacientes aguardam na fila por cirurgias eletivas nas três maiores cidades do Sul de Minas consultadas. A demora tem provocado o agravamento de problemas de saúde e levado moradores a buscarem atendimento particular para realizar procedimentos.
Em Varginha, mais de 2.700 pessoas esperam por cirurgias. A aposentada Cláudia Fioravanti aguarda por uma cirurgia de catarata e decidiu procurar atendimento particular devido às dores e dificuldades para enxergar.
“Eu uso mais de 5 graus, só que agora começou a doer, doer, doer, arranhar, arranhar, arranhar, e não enxergando nada. Eu não estou aguentando”, relatou.
Em Passos, a fila tem 1.788 pacientes, enquanto em Poços de Caldas 1.516 pessoas aguardam por procedimentos. Na cidade, a maior demanda é por cirurgias vasculares, principalmente para tratamento de varizes, com 437 pacientes na espera.
O secretário municipal de Saúde de Poços de Caldas, José Gabriel Pontes Baeta da Costa, explicou que a interrupção de alguns procedimentos em anos anteriores contribuiu para o aumento da fila. Segundo ele, fatores como a falta de profissionais e mudanças em políticas públicas influenciaram o cenário, mas os atendimentos vêm sendo retomados gradualmente.
O cirurgião vascular Alberto Brasil Barbosa Duarte explicou que as cirurgias eletivas são procedimentos programados, sem caráter de urgência, mas alertou que a demora pode agravar algumas doenças.
“As varizes são uma doença progressiva. Se a gente aguarda muito, o estágio dela vai piorando, a doença vai piorando e vai levando a maior sofrimento do paciente”, afirmou. Pacientes relatam dificuldades causadas pela espera. A auxiliar de termalismo Cristiane Aparecida de Moraes Cândido aguarda por uma cirurgia vascular e também por um procedimento para tratar a síndrome do túnel do carpo. Segundo ela, os exames pré-operatórios já foram realizados, mas ainda espera uma definição.
A supervisora de recepção Mariana Ananias também aguarda por uma cirurgia para tratar endometriose. Diagnosticada em 2019, ela recebeu indicação cirúrgica no ano passado e afirma que o procedimento poderia melhorar sintomas como dores lombares e pélvicas.
Em Pouso Alegre, a dona de casa Marilda Honório contou que espera há 13 anos por uma cirurgia no nariz. Segundo ela, a demora tem afetado sua qualidade de vida, causando dificuldades para dormir e respirar.
A administração municipal de Pouso Alegre informou que não possui controle da fila de espera por cirurgias eletivas e, por isso, não dispõe de números sobre os pacientes aguardando procedimentos.
A situação evidencia um dos principais desafios enfrentados por pacientes do Sul de Minas, que aguardam por atendimento enquanto convivem com dores, limitações e o avanço de problemas de saúde.