Parlamentares de 13 países das Américas pedem fim de ataques dos EUA contra embarcações
há 3 horas
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Foto: Reprodução/Redes sociais
Mais de 70 parlamentares de 13 países das Américas assinaram uma declaração conjunta pedindo que o governo dos Estados Unidos encerre os ataques contra embarcações no Caribe e no oceano Pacífico. O documento também solicita que os demais governos da região não contribuam com as operações por meio do compartilhamento de informações de inteligência, fornecimento de bases e instalações militares, apoio logístico ou outras formas de cooperação.
Entre os signatários estão parlamentares dos Estados Unidos, Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai, além de representantes de Porto Rico. No Brasil, assinam o documento as deputadas federais Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG).
Entre os parlamentares americanos que aderiram à manifestação estão nomes como Alexandria Ocasio-Cortez, Pramila Jayapal, Ilhan Omar, Rashida Tlaib, Ro Khanna, Greg Casar, Jonathan Jackson, Nydia Velázquez, Delia Ramírez, Summer Lee, Hank Johnson e Jan Schakowsky.
Parlamentares questionam legalidade dos ataques
Na declaração, os legisladores afirmam que as operações americanas provocaram mortes e classificam os episódios como “execuções extrajudiciais”. O grupo sustenta que não foram apresentadas evidências de que os alvos atingidos representassem uma ameaça iminente que justificasse o emprego de força letal.
Os signatários também afirmam que as identidades de muitas das vítimas permanecem desconhecidas publicamente e que familiares enfrentam dificuldades para obter informações, buscar responsabilização e conseguir reparações.
Segundo o manifesto, os ataques também aumentam os riscos para comunidades costeiras e pesqueiras, que estariam submetidas a um cenário de medo e incerteza devido às operações realizadas na região.
O grupo ainda questiona a eficácia da estratégia adotada pelos Estados Unidos no combate ao narcotráfico. Os parlamentares afirmam que a militarização e o uso de força letal não seriam suficientes para reduzir de maneira sustentável a produção e o tráfico de drogas.
A declaração defende que o enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional seja realizado por meio de cooperação internacional, mas dentro dos limites do direito internacional, dos direitos humanos e da soberania dos países.
Ataques são realizados desde 2025
De acordo com os dados citados na reportagem, a plataforma Airwars, que acompanha os ataques, contabiliza 234 pessoas mortas em 67 operações que atingiram 71 embarcações desde setembro de 2025.
Os parlamentares também demonstram preocupação com a possibilidade de ampliação da campanha militar. O governo do presidente Donald Trump já sinalizou que pretende manter as operações e estendê-las a alvos em terra.
No documento, os legisladores afirmam que pretendem utilizar seus poderes de fiscalização e atuação parlamentar para aumentar a transparência e cobrar responsabilização pelas mortes provocadas pelas operações.
Cobrança também envolve países aliados
Além de pedir que os Estados Unidos interrompam os ataques, os parlamentares solicitam que outros governos das Américas deixem de prestar assistência às operações.
O manifesto cita como formas de possível colaboração o compartilhamento de inteligência, o acesso a bases e instalações militares, o suporte logístico e outras modalidades de cooperação.
Os signatários afirmam que Estados que fornecem assistência para determinadas operações podem enfrentar questionamentos relacionados ao direito internacional caso essa ajuda contribua para atos considerados ilícitos.
A declaração também cobra transparência, controle democrático das políticas de segurança, investigações judiciais e medidas de combate à corrupção como alternativas para enfrentar o crime organizado e o tráfico internacional de drogas.
Documento surge em meio à ampliação da cooperação regional
A manifestação dos parlamentares ocorre no mesmo período em que países das Américas discutem novas formas de cooperação no combate ao crime organizado.
Na terça-feira (22), integrantes do chamado Escudo das Américas divulgaram uma declaração de apoio à decisão dos Estados Unidos de designar organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O grupo reúne países como Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
O Brasil não participa do Escudo das Américas e, segundo informações divulgadas na reportagem, o governo brasileiro ainda avaliava o conteúdo da declaração. A divulgação ocorreu em Nova York, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no mesmo período dos discursos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
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