PF detalha vínculos pessoais e políticos de Jaques Wagner com ex-sócios do Banco Master em relatório ao STF
31 de jul.
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A Polícia Federal detalhou, em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a relação pessoal e política do senador Jaques Wagner (PT-BA) com ex-executivos do Banco Master. Os documentos, tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso, descrevem a proximidade do parlamentar com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição, e apontam indícios que, segundo a investigação, justificam o aprofundamento das apurações.
Segundo a PF, Jaques Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, conhecido como "Guga", o que também teria aproximado o senador de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os investigadores afirmam que esse vínculo teria facilitado interlocuções sobre pautas legislativas e operações de interesse da instituição financeira. Levantamento da corporação identificou 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cerca de cinco horas e meia de conversas.
O relatório também reúne mensagens, registros de encontros familiares, viagens e outros contatos considerados relevantes pela investigação. Entre os episódios citados está uma viagem do senador e de sua esposa para a chamada Ilha da Paixão, imóvel então controlado por Augusto Lima, com deslocamento realizado em aeronave ligada ao empresário. A PF entende que esses elementos demonstram uma relação de longa duração e elevado grau de proximidade entre as famílias.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que o senador tenha recebido vantagens econômicas de gestores do Banco Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição. Entre os fatos mencionados está a negociação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que, segundo os investigadores, teria seguido modelo semelhante ao apontado em outras investigações relacionadas ao banco. A corporação ressalta que esses elementos ainda fazem parte da fase investigativa e serão analisados ao longo do processo.
As investigações integram a Operação Compliance Zero e continuam em andamento. Até o momento, não há condenação judicial contra Jaques Wagner no âmbito desse caso. Conforme a legislação, as suspeitas levantadas pela Polícia Federal ainda serão submetidas à análise da Justiça, respeitando-se a presunção de inocência durante a tramitação do processo.
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