top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Pisa aponta que 20 estados e o Distrito Federal tiveram desempenho em matemática abaixo do esperado

há 58 minutos
4 min de leitura


Um levantamento feito pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) a pedido do g1 mostra que 20 estados brasileiros e o Distrito Federal tiveram desempenho em matemática abaixo do esperado para o perfil socioeconômico de seus estudantes no Pisa 2025.

O estudo considera que o resultado de uma rede de ensino não depende apenas das condições das escolas ou das políticas educacionais. Para calcular o desempenho esperado de cada unidade da Federação, os pesquisadores levaram em conta características socioeconômicas dos alunos, como a escolaridade dos pais, o status profissional mais elevado da família e os recursos disponíveis em casa, incluindo livros, computador e acesso à internet.

O Pisa, sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, é organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em matemática, leitura e ciências. A edição de 2025 reuniu 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas. Os resultados internacionais foram divulgados em setembro de 2026.

O detalhamento dos resultados por estado, considerando o contexto socioeconômico, não era divulgado dessa forma desde 2015.

Paraná supera expectativa em matemática

Entre os estados brasileiros, o Paraná apresentou a maior diferença positiva entre o resultado obtido e o desempenho esperado para seu perfil socioeconômico em matemática. O estado ficou 15 pontos acima da expectativa.

Além do Paraná, Ceará, Minas Gerais e Piauí também tiveram desempenho superior ao que seria previsto levando em consideração as características socioeconômicas dos estudantes.

O Ceará obteve 363,3 pontos em matemática. Embora a pontuação absoluta esteja abaixo de estados com médias mais elevadas, o resultado ficou 10,5 pontos acima do esperado quando o contexto socioeconômico é considerado.

Já Roraima apresentou a maior diferença negativa. O estado ficou 50,2 pontos abaixo do resultado esperado para o seu perfil socioeconômico.

Outros estados da Região Norte também aparecem entre as maiores diferenças negativas. Tocantins, Amapá e Amazonas estão entre as cinco unidades da Federação com resultados relativos mais baixos em matemática.

Como o nível socioeconômico foi calculado

Para estabelecer o contexto de cada estudante, o levantamento utilizou três grupos principais de informações.

O primeiro é a escolaridade dos pais, considerando o maior nível educacional alcançado pelo pai ou pela mãe e convertendo esse dado para anos estimados de estudo.

O segundo é o status ocupacional da família, calculado a partir da posição profissional mais elevada entre os responsáveis pelo estudante.

O terceiro envolve os recursos e bens disponíveis em casa, incluindo itens como livros, espaço adequado para estudar, computador e acesso à internet.

Os dados são colocados em uma escala padronizada na qual o perfil médio dos países da OCDE corresponde a zero. Dessa forma, o levantamento procura estimar qual seria o desempenho esperado de cada unidade da Federação de acordo com as condições sociais e econômicas de seus estudantes.

Resultado em leitura é diferente

Quando a mesma metodologia é aplicada à leitura, o cenário muda.

24 das 27 unidades da Federação ficaram acima do desempenho esperado para seu contexto socioeconômico.

O Paraná novamente apresentou a maior diferença positiva, com 59 pontos acima do resultado projetado.

Na sequência aparecem Minas Gerais, com 52,9 pontos acima do esperado, e Ceará, com 49,7 pontos.

Em leitura, apenas Roraima, Tocantins e Mato Grosso ficaram abaixo da expectativa. No caso de Mato Grosso, a diferença foi de apenas 1 ponto.

Paraná também se destaca em ciências

Em ciências, o Paraná voltou a apresentar uma diferença positiva expressiva em relação ao desempenho esperado. O estado ficou 39,8 pontos acima da expectativa.

Minas Gerais aparece em seguida, com 29,6 pontos acima, enquanto São Paulo ficou 27,3 pontos acima do resultado previsto.

Na outra ponta, Roraima registrou a maior diferença negativa, com desempenho 40,4 pontos abaixo do esperado.

O Distrito Federal, apesar de apresentar uma pontuação absoluta elevada, ficou 0,5 ponto abaixo do resultado projetado para seu perfil socioeconômico.

São Paulo tem as maiores notas absolutas

A análise também mostra a diferença entre observar apenas as notas brutas e considerar as condições socioeconômicas dos estudantes.

Em números absolutos, São Paulo apresentou as maiores pontuações nas três áreas avaliadas: 403,8 pontos em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências.

Quando o contexto socioeconômico é levado em consideração, porém, a diferença entre o resultado paulista e o esperado se torna menor. Em matemática, São Paulo ficou 2,3 pontos acima da expectativa.

O levantamento, portanto, utiliza duas formas diferentes de observar os resultados: a pontuação obtida diretamente pelos estudantes e a diferença entre essa pontuação e aquela estimada a partir das características socioeconômicas da população avaliada.

Especialistas destacam importância da aprendizagem matemática desde os primeiros anos

A diretora do Instituto Reúna, Katia Smole, afirmou que as dificuldades em matemática começam antes da idade em que os estudantes participam do Pisa.

Segundo ela, a disciplina possui caráter progressivo e cumulativo. Dessa forma, dificuldades na compreensão de conteúdos básicos, como frações e proporções, podem prejudicar posteriormente a aprendizagem de conceitos mais complexos, como álgebra.

A especialista Claudia Costin também analisou os resultados e relacionou o desempenho dos estudantes ao tempo e às condições disponíveis para aprendizagem.

Já Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco, afirmou que a comparação entre o resultado efetivamente obtido e aquele esperado para o contexto socioeconômico pode ajudar a identificar situações em que as políticas educacionais conseguem reduzir ou ampliar o impacto das desigualdades sociais sobre a aprendizagem.

Comparações ao longo do tempo exigem cautela

O levantamento também analisa a evolução dos resultados estaduais em relação ao Pisa de anos anteriores, mas os pesquisadores destacam que as comparações precisam considerar as margens de erro da avaliação.

As amostras estaduais são menores do que a amostra nacional, e os intervalos de confiança podem se sobrepor. Por isso, uma diferença entre duas edições não significa necessariamente que tenha ocorrido uma mudança estatisticamente comprovada no desempenho.

Segundo a análise apresentada, São Paulo apresentou evolução estatisticamente confirmada apenas em ciências no período analisado. Em matemática e leitura, os intervalos de confiança se cruzam, o que não permite afirmar apenas pelos dados disponíveis que houve uma mudança estatisticamente significativa.

O levantamento também destaca o resultado do Paraná em 2025. O estado alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura. Mesmo considerando o limite inferior do intervalo de confiança, as pontuações permanecem acima de 450 pontos.

Os resultados fazem parte da edição de 2025 do Pisa, cujo domínio principal foi ciências, enquanto matemática e leitura também foram avaliadas. O Inep informa que a prova mede conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos e reúne ainda questionários sobre fatores relacionados ao contexto de aprendizagem.

Comentários


bottom of page