Polícia do Espírito Santo divulga imagens de apreensões alteradas por IA e admite erros
há 3 horas
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imagem modificada por IA / Polícia Militar
Imagens de apreensões divulgadas pelas polícias Civil e Militar do Espírito Santo foram modificadas com recursos de inteligência artificial e apresentaram objetos diferentes ou em quantidades superiores às registradas nas fotografias originais. A comparação entre os arquivos originais e as versões encaminhadas para divulgação identificou alterações em munições, celulares, cédulas, armas, drogas e outros materiais apreendidos.
Em uma das imagens, a fotografia original mostrava 18 munições sobre uma mesa. Na versão modificada, porém, apareciam 24 unidades, seis a mais do que na fotografia original.
Em outro caso, um celular da marca Motorola que aparecia na fotografia original foi alterado e passou a apresentar o símbolo da Apple, fabricante do iPhone.
As modificações também afetaram outros elementos presentes nas fotografias. Foram identificadas alterações em cédulas de real, incluindo mudanças nos números e na aparência das notas. Em determinadas imagens, objetos foram duplicados ou tiveram sua aparência modificada.
Também houve registros envolvendo armas e drogas. Algumas imagens apresentaram materiais em posições ou quantidades diferentes das observadas nos arquivos originais. Em determinados casos, as alterações provocadas pela inteligência artificial chegaram a modificar características visuais dos objetos.
A utilização desse tipo de recurso em fotografias de apreensões pode gerar questionamentos sobre a fidelidade das imagens apresentadas ao público, principalmente quando alterações modificam a quantidade ou a identificação de materiais.
O advogado criminalista Israel Domingos Jorio afirmou que a inclusão de itens que não foram efetivamente apreendidos pode levar a questionamentos sobre a origem dos materiais mostrados nas imagens.
Segundo o especialista, uma alteração fotográfica não configura automaticamente um crime. Uma eventual responsabilização dependeria das circunstâncias e da comprovação de que houve intenção de produzir ou divulgar informação falsa para agravar uma acusação.
Jorio explicou que a situação poderia ser mais grave caso fosse comprovado que uma imagem foi deliberadamente modificada para apresentar quantidade maior de drogas, armas ou outros elementos capazes de aumentar a gravidade de uma investigação.
Não há indicação de que as alterações identificadas, como o acréscimo de seis munições ou a mudança do modelo do celular, tenham sido realizadas intencionalmente para agravar acusações.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo reconheceu o uso de inteligência artificial nas imagens e considerou inadequado o encaminhamento desse tipo de material para divulgação.
A secretaria determinou uma apuração interna para verificar a existência de outros casos semelhantes e orientou os setores responsáveis a não utilizar ferramentas de inteligência artificial generativa em fotografias destinadas à divulgação de materiais apreendidos.
Segundo a secretaria, as imagens modificadas foram utilizadas para divulgação e não integram os registros oficiais das ocorrências ou das investigações. Os arquivos originais das apreensões permanecem preservados.
A pasta afirmou ainda que o uso de inteligência artificial deve respeitar a legislação e boas práticas, especialmente em situações que envolvam informações sensíveis, privacidade e dados sigilosos.
O cientista político Alexandre Rocha afirmou que a divulgação de imagens modificadas pode afetar a credibilidade das instituições, mesmo quando os registros originais continuam preservados. Segundo ele, ferramentas de inteligência artificial podem ter aplicações na apresentação de conteúdos, mas precisam ser utilizadas com transparência e critérios que garantam a confiabilidade das informações.
A apuração interna deverá verificar se outras fotografias de materiais apreendidos também foram modificadas antes de serem encaminhadas para divulgação.
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