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Premiê do Canadá defende aproximação com União Europeia em discurso no Parlamento Europeu

17 de set.
3 min de leitura


O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu nesta quinta-feira (17) uma aproximação mais profunda entre seu país e a União Europeia (UE) durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França. A fala ocorreu um dia depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciar que o bloco pretende trabalhar para que o Canadá se torne seu primeiro “membro associado”.

Carney afirmou que a aproximação entre Canadá e Europa pode contribuir para a construção de uma “próxima ordem mundial”, baseada em maior cooperação entre países que compartilham valores e interesses estratégicos. Ele ressaltou que a proposta não tem como objetivo criar um bloco para rivalizar com outras grandes potências.

“Não estou propondo um terceiro bloco para rivalizar com as grandes potências”, afirmou o primeiro-ministro. Segundo Carney, a intenção é aumentar a resiliência para impedir que outros países possam controlar mercados, comprometer a soberania, ameaçar a integridade territorial ou enfraquecer democracias e o Estado de Direito.

Embora não tenha citado diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Carney fez referências ao uso de tarifas e do comércio como instrumentos de pressão. O discurso ocorreu poucas horas depois de Trump reagir negativamente à possibilidade de uma aproximação formal entre Canadá e União Europeia.

Trump afirmou que poderá impor tarifas muito pesadas ou até interromper o comércio com a Europa em determinados setores caso considere a iniciativa um ato hostil. O presidente americano também classificou como “ridícula” a proposta de tornar o Canadá membro associado da UE.

Após o discurso, Carney respondeu às críticas dizendo que “ninguém vai ditar nossa cultura nem com quem podemos firmar acordos internacionais”. Ao mesmo tempo, adotou um tom diplomático ao afirmar que um Canadá mais forte e resiliente poderia ser um parceiro mais efetivo para os próprios Estados Unidos.

A proposta de associação havia sido anunciada por Ursula von der Leyen na quarta-feira (16), durante seu discurso anual sobre o Estado da União. A presidente da Comissão Europeia afirmou que Canadá e Europa compartilham valores democráticos e que o objetivo é elevar a parceria entre as duas partes ao nível mais alto possível.

Von der Leyen destacou que a iniciativa “não é uma parceria contra ninguém”, mas uma forma de fortalecimento conjunto. O Canadá seria o primeiro país de fora da Europa a assumir esse tipo de vínculo com a União Europeia. As regras atuais do bloco estabelecem que seus membros precisam ser países europeus, o que faz com que a proposta de associação tenha características diferentes de uma adesão tradicional.

A relação econômica entre Canadá e União Europeia já é baseada no Acordo Econômico e Comercial Global (CETA), em vigor desde 2017. Segundo dados apresentados no contexto da proposta, o comércio entre os dois lados aumentou 76% desde a implementação do acordo, alcançando cerca de € 130 bilhões por ano.

No discurso desta quinta-feira, Carney defendeu uma cooperação mais ampla em áreas consideradas estratégicas, incluindo minerais críticos, indústria de defesa, inteligência artificial, computação, segurança energética, setor espacial e sistemas de pagamento.

Para o primeiro-ministro canadense, a cooperação é necessária porque tanto o Canadá quanto os países europeus possuem lacunas em áreas estratégicas e dependem de outros países ou empresas para suprir determinadas necessidades. Ele afirmou que essas vulnerabilidades podem ser reduzidas por meio de uma atuação conjunta.

Carney também criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção econômica. Segundo ele, a integração econômica vem sendo utilizada como mecanismo de pressão e as cadeias de abastecimento podem se transformar em pontos vulneráveis em momentos de crise.

O primeiro-ministro destacou ainda os vínculos históricos entre Canadá e Europa. Durante o discurso, fez referência à participação canadense na Primeira Guerra Mundial e à batalha de Vimy Ridge, episódio que se tornou um símbolo da identidade nacional canadense.

A aproximação com a União Europeia ocorre em um momento de forte tensão comercial entre Canadá e Estados Unidos. O país canadense tem buscado ampliar suas relações com outros parceiros diante das medidas comerciais adotadas pelo governo Trump. Cerca de 70% das exportações canadenses têm como destino os Estados Unidos, o que torna a diversificação de mercados uma questão estratégica para Ottawa.

Carney encerrou sua defesa da parceria afirmando que Canadá e Europa são fortes individualmente, mas podem ampliar sua capacidade de atuação quando trabalham juntos. A proposta de associação ainda precisa avançar em negociações entre as partes antes que qualquer novo formato de relacionamento seja formalizado.

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