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Satélite espião dos EUA lançado na Guerra Fria se fragmenta em órbita após 38 anos

29 de set.
2 min de leitura


Um satélite espião dos Estados Unidos lançado durante a Guerra Fria se fragmentou em órbita no dia 13 de setembro, gerando novos detritos ao redor da Terra. O equipamento, identificado como USA 32, estava no espaço havia mais de 38 anos, e a causa da fragmentação ainda não foi determinada pelas autoridades americanas.

A fragmentação foi confirmada pela Space Forces–Space, unidade das Forças Espaciais dos Estados Unidos. Os destroços identificados passaram a ser monitorados para verificar possíveis aproximações com outros objetos em órbita e avaliar os riscos para atividades espaciais. Até o momento, não foram apontadas ameaças imediatas relacionadas ao incidente.

O USA 32, também conhecido pelo nome Farrah III, foi lançado em 5 de setembro de 1988 e fazia parte de uma série de satélites de inteligência de sinais desenvolvidos pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. O equipamento era operado pelo Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO) e tinha como função interceptar sinais de radar e rádio soviéticos.

A missão permaneceu em segredo durante décadas e só foi desclassificada no início de 2025. Documentos divulgados posteriormente revelaram que o satélite podia realizar buscas direcionadas por emissores e mapear sinais utilizados por forças militares.

Apesar de ter sido projetado para uma vida útil de aproximadamente quatro anos, o equipamento permaneceu em órbita por quase quatro décadas depois de concluir sua missão. Quando se fragmentou, estava a uma altitude estimada entre 773 e 780 quilômetros da superfície terrestre.

A causa da destruição ainda é desconhecida. Entre as possibilidades levantadas por especialistas estão a deterioração de componentes após décadas no espaço, uma falha em uma bateria antiga ou o rompimento de um tanque que ainda pudesse conter combustível residual sob pressão.

Outra possibilidade considerada é uma colisão com um pequeno meteoroide ou com algum fragmento de lixo espacial. Não há, porém, indicação de que a fragmentação tenha sido provocada deliberadamente ou por uma arma antissatélite.

A localização do USA 32 também chama atenção para o problema do lixo espacial. Na altitude em que o satélite estava, objetos podem permanecer em órbita durante décadas antes de eventualmente reentrarem na atmosfera, o que aumenta a preocupação com novos fragmentos circulando ao redor da Terra.

O episódio ocorreu em um momento de crescente atenção às capacidades militares no espaço. Pouco antes da confirmação pública da fragmentação, o secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, havia afirmado que o país possui armas de controle espacial posicionadas em órbita. Ele não revelou quais equipamentos fazem parte desse sistema nem quando foram colocados no espaço.

A declaração ocorreu em meio à disputa tecnológica e militar entre Estados Unidos, Rússia e China. Segundo autoridades americanas, o objetivo dessas capacidades é permitir a defesa de forças e ativos espaciais contra possíveis adversários.

Enquanto os Estados Unidos mantêm os destroços do USA 32 sob monitoramento, a causa exata da fragmentação do antigo satélite espião continua sem explicação pública.

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