Super El Niño atinge força recorde e inibe formação de furacões no Atlântico; setembro fecha sem nenhum registro pela primeira vez em mais de 30 anos
1 de out.
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O fenômeno El Niño ganhou força sem precedentes e alterou profundamente a atividade climática nos oceanos. Pela primeira vez em mais de três décadas, o mês de setembro terminou sem que nenhum furacão tivesse se formado no Atlântico. Desde que os registros começaram de forma sistemática, em 1950, isso só havia acontecido em mais três ocasiões: 1962, 1972 e 1994. A média previa a formação de dois a três furacões só neste mês; até o momento, nenhum apareceu, embora três tempestades tropicais tenham surgido — todas ficaram abaixo do limiar de intensidade de furacão.
A explicação está no chamado cisalhamento de ventos: diferenças de velocidade e direção entre camadas da atmosfera, intensificadas pelo El Niño, que agem como uma barreira e despedaçam as tempestades antes que ganhem força. Mesmo com as águas do oceano suficientemente quentes para alimentar sistemas fortes, esse efeito de bloqueio tem atingido níveis recordes desde o verão, especialmente na região onde nascem a maioria dos furacões do Atlântico. Enquanto isso, no Pacífico, o cenário é oposto: águas aquecidas impulsionaram 20 tempestades nomeadas, entre elas três furacões de categoria máxima.
A temporada ainda não terminou — restam outubro e novembro — e a possibilidade de um furacão surgir ainda existe, mas diminui a cada dia. Se nenhum sistema se formar, será um fato inédito na era dos satélites. Especialistas alertam, porém, que a ausência de furacões não significa ausência de perigo: tempestades mais fracas já provocaram chuvas intensas e enchentes repentinas, mostrando que o aquecimento global torna os fenômenos, mesmo menos intensos, capazes de causar grandes danos.
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