Taxista que cobrou R$ 30 mil de torcedor do Boca tem carro apreendido em SP por irregularidades
há 9 horas
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Um taxista de São Paulo que está sendo investigado após cobrar R$ 30.350 de um torcedor argentino do Boca Juniors teve o carro apreendido administrativamente pela SPTrans por irregularidades na exploração do serviço de táxi. O motorista, Marcos Oliveira de Morais, foi indiciado pela Polícia Civil por estelionato eletrônico e responde ao processo em liberdade.
O caso aconteceu em 15 de setembro, horas antes da partida entre São Paulo e Boca Juniors pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. O torcedor argentino estava em São Paulo com o filho para acompanhar o jogo e utilizou um táxi para fazer o trajeto entre o Morumbi e o Museu do Futebol, no Pacaembu.
Segundo o relato da vítima, o motorista informou que a corrida custaria R$ 30,75. No momento do pagamento eletrônico, porém, foram debitados R$ 30.350 da conta do argentino.
O torcedor afirmou à polícia que recebeu uma máquina de pagamento do motorista e digitou o valor de R$ 30,75. Depois da transação, percebeu que havia sido cobrado um valor muito superior ao previsto.
“Ele me deu uma máquina, e eu digitei R$ 30,75. Depois, apareceu uma compra de R$ 30.350. Não errei o número nem fiz doação a ele”, relatou o argentino.
Após perceber o valor transferido, o torcedor tentou entrar em contato com o taxista para pedir a devolução do dinheiro. Como não conseguiu resolver a situação diretamente, procurou a Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista e registrou a ocorrência. As mensagens trocadas entre os dois foram entregues aos investigadores.
De acordo com o registro policial, o dinheiro foi transferido para uma conta vinculada ao próprio motorista, que confirmou ter recebido a quantia. Em depoimento, Marcos afirmou que acreditava que o valor recebido fosse uma “gorjeta” ou uma “doação”.
O motorista também declarou que havia utilizado R$ 19 mil para pagar dívidas e, por isso, não teria condições de devolver todo o dinheiro de uma só vez. Segundo os investigadores, ele teria proposto ao argentino o pagamento de R$ 1 mil por mês durante 15 meses.
Até o momento, cerca de R$ 11,7 mil haviam sido devolvidos ao torcedor.
A Polícia Civil considera que houve má-fé na transação. “Nosso entendimento é má-fé mesmo do motorista”, afirmou Luiz Alberto Guerra, delegado da 1ª Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista (DEATUR), do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE).
A Polícia Militar localizou Marcos durante uma blitz. Na abordagem, os agentes apreenderam o celular e a máquina utilizada para o pagamento. Os equipamentos foram encaminhados para perícia, que deverá auxiliar na apuração das circunstâncias da transação.
Além da investigação criminal, a Polícia Civil identificou irregularidades relacionadas à utilização do táxi. Segundo os investigadores, o veículo pertencia a uma frota e o responsável pelo carro já havia solicitado que Marcos o devolvesse. Como o veículo não teria sido entregue, uma queixa também foi registrada.
Diante da irregularidade, a SPTrans apreendeu administrativamente o carro e o retirou de circulação. A investigação criminal sobre a cobrança de R$ 30.350 continua, enquanto o motorista responde em liberdade pelo indiciamento por estelionato eletrônico.
Apesar do episódio, o torcedor argentino afirmou que pretende retornar ao Brasil em outubro para acompanhar outra partida do Boca Juniors, desta vez contra o Vasco, pela semifinal da Copa Sul-Americana. Ele disse que terá mais cuidado durante a próxima viagem.
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