TJ-SP determina nova prisão do vereador Senival Moura, investigado por suspeita de ligação entre o PCC e empresas de ônibus de São Paulo
há 8 horas
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Reprodução Câmara Municipal de São Paulo
O vereador licenciado Senival Pereira de Moura, de São Paulo, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28), por determinação da Justiça paulista. O parlamentar é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria utilizado empresas de transporte público da capital para movimentar recursos de origem criminosa.
A nova prisão foi executada pela Polícia Civil de São Paulo, em uma operação que também tem como alvo outras seis pessoas investigadas no mesmo caso. Os mandados são cumpridos pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Senival estava em liberdade desde 5 de agosto, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou sua soltura. A decisão anterior foi tomada pela desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do tribunal, que entendeu que o período de prisão temporária deveria ser de cinco dias, e não de 30 dias, como havia sido estabelecido inicialmente.
O Ministério Público recorreu da decisão, e a Justiça voltou a determinar a prisão do vereador e dos demais investigados. A nova ordem judicial foi cumprida nesta quarta-feira, após a retomada das medidas contra os suspeitos.
Investigação envolve empresa de ônibus Transunião
As investigações se concentram em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado empresas do setor de transporte coletivo para movimentar e ocultar recursos atribuídos ao PCC. Entre as empresas investigadas está a Transunião, apontada pelas autoridades como possivelmente ligada a integrantes da facção criminosa.
Segundo as suspeitas apuradas, a estrutura empresarial do transporte público teria sido utilizada para viabilizar operações financeiras relacionadas à organização criminosa. A investigação procura esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e a maneira como o dinheiro teria circulado pelas empresas.
Senival é apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais do suposto esquema. As suspeitas, porém, ainda dependem da análise judicial, e a investigação não equivale a uma condenação criminal.
Além do vereador, outras seis pessoas tiveram a prisão decretada. Entre os alvos estão Lourival de França Monário, Jair Ramos de Freitas, Osiel Bernardino Pinto, Fábio Fernandes de Souza, Devanil Sousa Nascimento e Leonel Moreira Martins.
Na manhã desta quarta-feira, quatro dos outros investigados já haviam sido detidos: Lourival de França Monário, Jair Ramos de Freitas, Osiel Bernardino Pinto e Fábio Fernandes de Souza. Devanil Sousa Nascimento e Leonel Moreira Martins continuavam sendo procurados pelas autoridades.
Vereador já havia sido preso na Operação Última Parada
A primeira prisão de Senival Moura ocorreu em 25 de junho de 2026, durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investigava a suspeita de utilização de empresas de transporte público em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.
Em agosto, a desembargadora Carla Rahal Benedetti determinou a soltura do parlamentar ao avaliar que o prazo da prisão temporária deveria ser limitado a cinco dias, em vez dos 30 dias aplicados inicialmente. Com esse entendimento, Senival deixou a prisão em 5 de agosto.
O Ministério Público contestou a decisão e recorreu. Posteriormente, a Justiça voltou a determinar a prisão dos investigados, permitindo a retomada do cumprimento dos mandados nesta quarta-feira.
O inquérito da Operação Última Parada foi concluído antes das eleições, e 21 pessoas foram denunciadas à Justiça paulista. O Ministério Público havia solicitado a prisão dos sete principais investigados no caso.
A execução dos mandados também foi afetada pelas restrições legais aplicáveis às prisões durante o período eleitoral, conforme informações divulgadas sobre a operação.
Senival pediu afastamento do PT
Após a primeira prisão, Senival Moura pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT). O parlamentar permanece licenciado do mandato na Câmara Municipal de São Paulo.
Em agosto, depois de deixar a prisão, ele publicou um vídeo nas redes sociais em que apareceu na tribuna do plenário da Câmara Municipal e declarou ser inocente.
A defesa do vereador foi procurada para comentar a nova prisão, mas não havia apresentado posicionamento nas informações divulgadas até as primeiras atualizações desta quarta-feira.
O caso continua sob investigação, com o objetivo de esclarecer as suspeitas de lavagem de dinheiro, a possível relação dos investigados com o PCC e o papel atribuído à Transunião nas operações financeiras analisadas pelas autoridades.
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