Trump citou Biden quase 900 vezes em 2026; culpa antecessor por inflação, imigração, escassez de munições e guerras
há 5 horas
2 min de leitura
Reprodução
Um levantamento feito pela agência de notícias Reuters mostrou que, desde o início deste ano, o presidente Donald Trump mencionou o nome de Joe Biden pelo menos 890 vezes. Isso significa uma média de aproximadamente três citações por dia, espalhadas por discursos, entrevistas e publicações na rede social Truth Social. O ex-presidente Biden, que tem 83 anos e faz tratamento contra um câncer em estágio 4, tem se afastado em grande parte da vida pública, mas continua sendo o principal alvo político do atual mandatário dos Estados Unidos.
Trump atribui a Biden responsabilidade por praticamente todos os problemas enfrentados atualmente pelo país. Quando fala de economia e custo de vida, ele culpa a gestão anterior pelos preços altos. Nas questões de fronteira e entrada de imigrantes, repete que as regras aplicadas por Biden permitiram fluxos sem precedentes. Na área de segurança e defesa, afirma que a escassez de munições e de mísseis verificada agora acontece porque muito material foi enviado à Ucrânia durante o governo antecessor. Também diz que a postura de Biden em relação ao Irã foi fraca e acabou favorecendo o que ele chama de "criação de um monstro".
A estratégia é vista por analistas como uma forma de manter a atenção do público voltada para o passado e para a administração anterior, em vez de concentrar-se nos desafios que o próprio governo enfrenta. Faltando pouco mais de um mês para as eleições de meio de mandato, os índices de aprovação de Trump têm caído, a guerra com o Irã já dura quase sete meses sem solução clara e os preços de alimentos, combustíveis e moradia continuam pesados para a população. Ainda assim, em evento público, ele chegou a dizer que todos os aumentos são obra do "Biden Sonolento" e não têm relação com suas próprias decisões.
As comparações de desempenho econômico mostram que a inflação não desapareceu. Durante o mandato de Biden, o índice chegou a mais de 9% em um momento, puxado por fatores como a pandemia, a guerra da Rússia contra a Ucrânia e programas de estímulo. Já sob Trump, a inflação média mensal baixou, mas permanece em patamar superior ao desejado e os preços ao consumidor não voltaram aos níveis anteriores. Muitos eleitores apontam justamente a gestão atual como a responsável pela demora na melhora.
A obsessão com o antecessor aparece em situações das mais variadas. Trump falou de Biden em reuniões com líderes estrangeiros, em eventos religiosos, em solenidades oficiais e até em festas tradicionais da Casa Branca, como a caça aos ovos da Páscoa. Chegou a fazer 16 menções em um único dia, durante uma reunião da Otan. Em uma exposição montada no jardim da residência oficial, dedicada a presidentes anteriores, a seção sobre Biden não traz foto dele, mas sim uma imagem do aparelho que, segundo Trump, era usado para assinar documentos sem que o ex-presidente estivesse presente. A equipe de Biden classificou tudo isso como desvio de foco e falta de compromisso com o futuro do país.
Comentários