Trump diz que Arábia Saudita deve aderir aos Acordos de Abraão após acordo nuclear
23 de jul.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que a Arábia Saudita deverá aderir aos Acordos de Abraão para concretizar o acordo nuclear firmado entre Washington e Riad. A declaração foi feita após os Estados Unidos e o governo saudita avançarem em um tratado relacionado ao desenvolvimento de energia nuclear no país do Oriente Médio.
Trump indicou que a adesão aos Acordos de Abraão, iniciativa que busca estabelecer relações diplomáticas entre Israel e países árabes, é uma condição para a concretização do entendimento. A exigência representa uma tentativa de aproximar a Arábia Saudita de Israel, que ainda não mantém relações diplomáticas formais com o país.
Os Acordos de Abraão foram lançados durante o primeiro mandato de Trump e levaram à normalização das relações entre Israel e países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein. A Arábia Saudita, porém, vinha resistindo aos esforços para integrar a iniciativa e condicionava uma eventual aproximação a avanços relacionados à criação de um Estado palestino.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já havia indicado que o país só estaria disposto a aderir aos acordos caso houvesse um caminho viável para a criação de um Estado palestino. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, rejeita abertamente essa possibilidade.
A declaração de Trump ocorreu após a assinatura de um acordo nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita. O tratado permite que os sauditas desenvolvam um programa de energia nuclear civil e prevê cooperação entre os dois países. O texto, no entanto, não exige a adoção do chamado "padrão-ouro" de supervisão internacional, considerado o nível mais rigoroso de fiscalização previsto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Trump também afirmou que não haverá enriquecimento de material nuclear. O acordo ainda precisa passar por um período de análise obrigatória no Congresso americano antes de entrar em vigor.
O entendimento nuclear gerou reações em Israel. Netanyahu declarou que a entrada da Arábia Saudita nos Acordos de Abraão representaria um avanço histórico para a paz no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, integrantes da política israelense demonstraram preocupação com o acordo nuclear, diante dos riscos relacionados à possibilidade de expansão de capacidades nucleares na região.
A Arábia Saudita continua avaliando sua posição sobre os Acordos de Abraão, enquanto a exigência apresentada por Trump acrescenta uma dimensão diplomática ao acordo nuclear entre Washington e Riad. A eventual adesão saudita representaria uma mudança significativa nas relações do país com Israel e poderia alterar o cenário político do Oriente Médio.
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