Trump recebe Xi Jinping com grande cerimônia, mas acordo histórico entre EUA e China parece distante
há 2 horas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o líder chinês Xi Jinping com uma cerimônia de grande pompa na quarta-feira (23), em Washington. Apesar da dimensão simbólica da visita de Estado, as expectativas de que o encontro produza um grande acordo entre as duas maiores potências econômicas do mundo são consideradas limitadas.
Em um gesto incomum, Trump foi pessoalmente à Base Conjunta Andrews, em Maryland, para receber Xi na chegada do avião. Os dois líderes conversaram acompanhados das esposas, Melania Trump e Peng Liyuan, e depois caminharam lado a lado por um tapete vermelho durante a cerimônia oficial.
Durante o evento, um avião que participava do sobrevoo previsto para a recepção passou pelo local enquanto era executado o hino nacional. O forte barulho fez Trump se encolher e fazer uma expressão de surpresa, em um momento que chamou atenção durante a cerimônia.
A recepção produziu imagens de forte simbolismo diplomático, mas a avaliação apresentada pela análise da CNN é de que a visita não deve resultar em um acordo de grandes proporções comparável aos entendimentos firmados entre Estados Unidos e União Soviética durante a década de 1980, quando Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev negociaram reduções de armas nucleares.
Um eventual resultado mais concreto da cúpula deve estar relacionado à extensão da trégua comercial entre Washington e Pequim, além de iniciativas menores envolvendo inteligência artificial, comércio, combate ao tráfico de fentanil e mecanismos para evitar confrontos militares.
A trégua comercial entre os dois países expira em 10 de novembro. Os governos também permanecem em desacordo sobre questões como Taiwan, narcóticos, minerais de terras raras e tecnologia. Ao mesmo tempo, autoridades dos dois países vêm discutindo possíveis acordos comerciais e iniciativas relacionadas à inteligência artificial.
A inteligência artificial é um dos principais exemplos da dificuldade para alcançar um acordo mais amplo. Estados Unidos e China disputam a liderança tecnológica no setor e consideram sua evolução estratégica para o crescimento econômico e para a posição global de cada país.
Trump já afirmou que "quem vencer a IA, vence". Ao mesmo tempo, os dois governos têm poucos incentivos para aceitar restrições significativas ao desenvolvimento de uma tecnologia considerada estratégica. Segundo a análise, especialistas avaliam que a China está atrás dos Estados Unidos em alguns segmentos da corrida tecnológica e poderia resistir a uma desaceleração conjunta que limitasse seu avanço.
Além da tecnologia, as diferenças entre os sistemas políticos dos dois países e os interesses estratégicos de Washington e Pequim reduzem o espaço para decisões espontâneas durante a cúpula. A avaliação é de que ambos desejam evitar uma escalada das tensões, mas nenhum dos lados dispõe de poder de barganha suficiente para obrigar o outro a fazer concessões importantes.
O contexto interno também influencia a posição dos dois líderes. Trump chega ao encontro enfrentando queda em seus índices de aprovação e as consequências políticas e econômicas da guerra com o Irã. Xi, por sua vez, enfrenta dificuldades econômicas internas, incluindo uma crise prolongada no setor imobiliário, embora a economia chinesa continue sustentada por um forte desempenho das exportações. A Reuters informou que o superávit comercial global da China caminha para superar US$ 1 trilhão pelo segundo ano consecutivo.
Os limites da diplomacia pessoal
Trump tem dado grande importância ao relacionamento pessoal com Xi. Durante a recepção, o presidente americano voltou a destacar a proximidade entre os dois líderes e afirmou que era uma honra ser amigo do presidente chinês. Xi, porém, costuma adotar uma postura mais cautelosa e menos pessoal em suas manifestações públicas.
Para o pesquisador Lyle Goldstein, do think tank Defense Priorities, a diplomacia pessoal entre Trump e Xi contribuiu para estabilizar a relação entre os dois países e reduzir tensões militares, inclusive em torno de Taiwan.
A análise também aponta que Trump costuma valorizar encontros presenciais com líderes estrangeiros e atribuir importância às relações pessoais construídas nessas ocasiões. Durante seu primeiro mandato, ele manteve encontros de alto nível com o líder norte-coreano Kim Jong Un e, posteriormente, reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin.
Xi, por outro lado, demonstra uma abordagem mais cautelosa. Embora autoridades e ex-integrantes do governo americano tenham indicado que o líder chinês pode ser mais aberto a conversas sem roteiro em reuniões privadas do que seu antecessor Hu Jintao, ele continua limitado pelos protocolos do Partido Comunista Chinês e pela tradição diplomática de Pequim.
A visita de Xi aos Estados Unidos inclui uma agenda de três dias, com reunião bilateral com Trump, cerimônia militar na Casa Branca, jantar de Estado e visita aos Arquivos Nacionais, onde estão documentos históricos como exemplares originais da Declaração de Independência e da Constituição americana. A programação também inclui eventos com representantes do setor de tecnologia.
Embora a recepção tenha sido cuidadosamente planejada para transmitir proximidade e estabilidade entre os dois governos, a expectativa é de que o encontro produza avanços pontuais, e não um acordo abrangente capaz de solucionar as principais disputas entre Estados Unidos e China.
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