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Ucrânia acusa SpaceX de restringir Starlink e prejudicar operações militares

há 5 horas
4 min de leitura


Autoridades da Ucrânia acusaram a SpaceX, empresa comandada por Elon Musk, de impor restrições aos serviços de internet via satélite Starlink que prejudicaram operações militares e a logística das forças ucranianas. A mudança teria afetado missões com drones e ocorrido sem aviso prévio aos militares, em um momento de agravamento das tensões entre Kiev e o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.

O conselheiro presidencial ucraniano para tecnologia militar, Serhiy Beskrestnov, afirmou que as forças de defesa não foram informadas antecipadamente sobre as limitações. Em publicação nas redes sociais, ele declarou que a mudança provocou a interrupção de diversas missões e sugeriu que a medida pode estar relacionada ao cenário político atual.

As restrições atingem terminais da versão militar do sistema, conhecida como Starshield, e afetam equipamentos que se deslocam em alta velocidade. Segundo informações divulgadas por autoridades ucranianas, a conexão pode ser interrompida quando os terminais estão em veículos ou equipamentos militares que ultrapassam aproximadamente 160 km/h.

O problema compromete o controle de drones utilizados em operações de ataque, reconhecimento e apoio logístico. Uma unidade militar ucraniana relatou que as interrupções de conexão podem durar entre 10 e 20 segundos, dificultando o controle dos equipamentos durante o voo e levando ao cancelamento de algumas missões.

Uma fonte militar com conhecimento das operações afetadas afirmou que os problemas de conectividade são significativos e podem atingir atividades na linha de frente e em territórios ocupados pela Rússia. O Ministério da Defesa da Ucrânia também informou que as limitações dificultam a logística, o emprego de sistemas não tripulados e os ataques de médio alcance. As autoridades ucranianas disseram que ainda investigam as causas das falhas.

Dependência militar do sistema

Desde os primeiros meses da invasão russa, em 2022, o Starlink tornou-se uma ferramenta importante para as comunicações militares ucranianas. A rede permite que unidades em campo troquem informações por meio de conexões via satélite, inclusive em áreas onde a infraestrutura de telecomunicações foi destruída ou sofreu danos.

A resistência do sistema a interferências eletrônicas também favoreceu seu uso no controle de drones de longo alcance e de equipamentos empregados no transporte de suprimentos para as tropas. Por isso, as restrições levantaram preocupações sobre possíveis impactos na coordenação das forças e na capacidade de defesa do país.

Beskrestnov alertou ainda que a conectividade via satélite é utilizada por drones interceptadores empregados contra aeronaves não tripuladas russas. Segundo ele, a limitação pode reduzir uma das ferramentas disponíveis para combater drones de ataque equipados com motores a jato, considerados mais rápidos e difíceis de interceptar.

A Ucrânia informou que busca esclarecimentos sobre a mudança e uma solução que permita recuperar as capacidades de conexão anteriores. Até o momento da divulgação das informações, a SpaceX não havia apresentado publicamente uma explicação para as restrições.

Medida ocorre em meio a tensões com os Estados Unidos

O episódio acontece em um período de deterioração das relações entre Kiev e Washington. Nos últimos dias, o governo Trump pressionou a Ucrânia a interromper ataques de longo alcance contra instalações energéticas russas e, segundo relatos, ameaçou suspender o compartilhamento de informações de inteligência e o apoio relacionado à compra de armamentos americanos caso as operações continuassem.

As informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos e por outros aliados são importantes para que a Ucrânia identifique ameaças e se prepare para ataques russos com mísseis, incluindo dados sobre lançadores e trajetórias dos projéteis.

Na terça-feira (13), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país não recebeu alertas antecipados dos aliados antes de um ataque russo com mísseis balísticos que atingiu uma importante instalação de energia em Kiev e danificou um edifício residencial. Trump, por sua vez, negou que os Estados Unidos tivessem interrompido o compartilhamento de informações com os ucranianos.

A tensão também envolve Elon Musk, que criticou Zelensky em uma publicação na rede social X no sábado (10), afirmando que o presidente ucraniano havia ido longe demais, em referência aos ataques contra instalações de combustíveis russas.

A situação provocou reação na Polônia, que financia assinaturas do Starlink utilizadas pela Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, questionou publicamente Musk sobre a possibilidade de a empresa usar seus serviços para interferir na política. Até a divulgação das informações, não havia resposta pública da SpaceX às acusações.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia não tinha informações adicionais sobre as limitações impostas ao sistema. Ele disse que Moscou acompanha os relatos de mudanças no apoio americano à Ucrânia, mas considerou prematuro tirar conclusões mais amplas.

Ataques russos ampliam pressão sobre a defesa ucraniana

As dificuldades com o Starlink surgiram enquanto a Rússia intensificava os ataques contra a infraestrutura energética ucraniana. Segundo Zelensky, um novo bombardeio na quarta-feira (14) deixou mais de 600 mil pessoas sem eletricidade e envolveu o lançamento de mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos contra Kiev e Kharkiv.

Os ataques atingiram instalações de energia e provocaram apagões, além de danos a estruturas do setor de petróleo e gás. Zelensky afirmou que os alvos estavam entre aqueles que deveriam ser abrangidos pelo cessar-fogo energético anunciado por Trump no domingo (11), embora os termos da trégua não tenham sido confirmados de maneira clara pelos dois países.

O presidente ucraniano declarou anteriormente que a Rússia havia violado a proposta com novos ataques, mas afirmou que Kiev estava disposta a respeitar a interrupção dos bombardeios caso Moscou fizesse o mesmo. O Kremlin, por sua vez, disse que as negociações sobre a iniciativa continuavam.

Diante da intensificação dos ataques, Zelensky vem pedindo aos aliados o reforço das defesas aéreas, especialmente com interceptadores capazes de derrubar mísseis balísticos. A possível redução da conectividade do Starlink acrescenta uma nova preocupação às forças ucranianas, que dependem de sistemas de comunicação e de equipamentos não tripulados para coordenar operações e proteger posições no campo de batalha.

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