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Urnas refletem insatisfação dos brasileiros com a economia, avalia especialista

há 7 horas
2 min de leitura


O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 refletiu a insatisfação de parte do eleitorado brasileiro com a situação econômica do país, segundo avaliação do sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, durante o programa CNN Eleições. Para o especialista, o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está relacionado a uma percepção econômica que o governo não conseguiu alterar ao longo do mandato.

A reação de Lula ao resultado, considerado inesperado pelo presidente, também foi analisada por Lavareda. Na avaliação do cientista político, a surpresa demonstrada pelo petista revela uma dificuldade do governo e do PT em compreender plenamente o que vinha acontecendo com o eleitorado durante a campanha.

Percepção sobre a economia

Lavareda afirmou que o governo passou os últimos três anos tentando modificar a percepção dos brasileiros sobre a condução da economia, mas não conseguiu produzir uma mudança suficiente na avaliação da população.

Para o especialista, o resultado das urnas representa justamente essa insatisfação acumulada. “A economia, o que nós estamos assistindo hoje, é a expressão nas urnas da insatisfação com a dimensão econômica”, afirmou durante a análise.

Segundo Lavareda, a questão econômica não é uma característica exclusiva da eleição brasileira. O especialista apontou que o tema também tem influenciado disputas eleitorais em diferentes países, com eleitores demonstrando preocupação com as condições econômicas e buscando alternativas aos governos que estão no poder.

Na avaliação do cientista político, o governo Lula não conseguiu reverter o déficit de aprovação acumulado durante o mandato. O índice acompanhado pela CNN Brasil terminou a semana anterior à votação em -4 pontos, segundo os dados apresentados na análise.

Discurso de mudança ganha força

Outro elemento destacado por Lavareda foi o peso da ideia de mudança na campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL teria explorado de maneira intensa essa narrativa durante a disputa pelo primeiro turno.

O resultado coloca Lula diante de um desafio para a segunda etapa da eleição: convencer o eleitor de que um eventual novo mandato também pode representar uma mudança, mesmo sendo o candidato que ocupa atualmente a Presidência.

Lavareda comparou o cenário ao enfrentado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, quando ela conseguiu se apresentar ao eleitorado como uma alternativa de mudança apesar de estar no governo. Para o especialista, entretanto, reproduzir essa estratégia agora é mais difícil diante dos indicadores atuais de aprovação do governo.

Ao longo de 2026, Lula não conseguiu elevar sua aprovação a um nível suficiente para reduzir de maneira significativa a distância em relação à desaprovação. Segundo a análise apresentada por Lavareda, essa diferença permaneceu elevada durante o ano e acabou se refletindo no resultado do primeiro turno.

Com Flávio Bolsonaro à frente e Lula em segundo lugar, os dois candidatos avançaram para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O resultado colocou a economia e o discurso de mudança entre os fatores centrais para a disputa pela Presidência.

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