top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Ursula von der Leyen diz que Europa enfrenta mundo “abertamente hostil” e propõe Canadá como primeiro membro associado da UE

16 de set.
3 min de leitura


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (16) que a União Europeia enfrenta um “mundo abertamente hostil” e defendeu uma aproximação ainda maior com o Canadá. Durante seu discurso anual sobre o Estado da União Europeia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, ela propôs abrir caminho para que o país se torne o primeiro “membro associado” do bloco.

A proposta foi apresentada na presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que acompanhava o discurso. Von der Leyen afirmou que a Europa precisa “reimaginar” suas parcerias diante da atual situação internacional e disse que o relacionamento com o Canadá deveria ser elevado ao nível mais alto possível.

“Eu gostaria de trabalhar com vocês para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE”, declarou a presidente da Comissão Europeia.

A categoria de “membro associado” não existe atualmente nos tratados da União Europeia. Portanto, a proposta de von der Leyen exigiria decisões políticas e jurídicas para a criação de um novo modelo de relacionamento com países que não fazem parte do bloco. Segundo informações divulgadas pela Reuters, caberia aos Estados-membros decidir se a iniciativa avançará.

A ideia ocorre depois de o governo canadense sinalizar interesse em estreitar os vínculos com a União Europeia. Carney havia afirmado anteriormente que o Canadá buscava uma “aliança única” com o bloco, e não uma adesão formal à UE.

Durante o discurso, von der Leyen destacou as áreas nas quais considera que Canadá e Europa compartilham interesses. Ela citou inteligência artificial, mudanças climáticas, Ártico e geopolítica, além de mencionar a cooperação em torno da Ucrânia, defesa, matérias-primas e cadeias de abastecimento.

“Europa e Canadá veem o mundo com os mesmos olhos”, afirmou a presidente da Comissão Europeia. Ela também ressaltou que os dois lados compartilham o compromisso com a democracia.

A aproximação ocorre em um momento de mudanças nas relações internacionais. A União Europeia enfrenta a guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia e, ao mesmo tempo, lida com disputas comerciais e estratégicas com os Estados Unidos e com uma China cada vez mais assertiva em diferentes áreas.

Von der Leyen afirmou que as parcerias são uma escolha estratégica para a Europa, mas também uma resposta ao enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras. Segundo ela, o cenário atual exige que os países europeus atuem de maneira mais coordenada.

“O estado da nossa União é o mais forte que já foi. O estado da nossa União também pode parecer tão precário quanto já foi”, disse.

A presidente da Comissão Europeia defendeu que a solidariedade entre os 27 países do bloco é necessária para enfrentar os desafios externos e afirmou que o caminho da Europa deve ser a construção de uma região independente, com capacidade própria de ação.

Ao abordar a relação com o Canadá, von der Leyen também mencionou a intenção de ampliar a cooperação em setores como manufatura, tecnologia, defesa, energia e minerais críticos. Ela afirmou ainda que o Ártico poderá ser transformado em um projeto conjunto de destaque entre europeus e canadenses.

A relação com o Canadá ganhou importância adicional diante da deterioração das relações comerciais entre Ottawa e Washington. Carney viajou à Europa em busca de vínculos econômicos e estratégicos mais estreitos em meio às tensões comerciais com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante o discurso no Parlamento Europeu, a presença do primeiro-ministro canadense foi recebida com aplausos. Após anunciar a proposta de criação do status de membro associado para o Canadá, von der Leyen se aproximou de Carney e o abraçou. O premiê canadense também recebeu uma ovação de pé dos parlamentares.

Von der Leyen também afirmou que a União Europeia pretende reduzir o que classificou como um déficit comercial “insustentável” com a China. Segundo ela, o déficit de bens chegou a cerca de € 1 bilhão (aproximadamente US$ 1,15 bilhão) por dia no ano passado, situação que, em sua avaliação, atingiu um ponto crítico.

A presidente da Comissão Europeia declarou que o bloco utilizará os instrumentos disponíveis para buscar um reequilíbrio da relação comercial com Pequim. Ela também defendeu que a Europa reduza sua dependência externa em setores estratégicos, incluindo energia, matérias-primas e tecnologias limpas.

No discurso, von der Leyen ainda abordou as mudanças climáticas e afirmou que a União Europeia precisa manter seus esforços para reduzir as emissões, mas também ampliar a preparação para os efeitos do aquecimento global. Ela citou as ondas de calor e os incêndios florestais registrados na Europa nos últimos meses como exemplos dos impactos que exigem medidas de adaptação.

Comentários


bottom of page