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Uso de canetas emagrecedoras muda hábitos de consumo e leva bares e restaurantes a adaptar cardápios

  • há 5 minutos
  • 3 min de leitura
Uso de canetas emagrecedoras muda hábitos de consumo e leva bares e restaurantes a adaptar cardápios
Divulgação/Vendas de medicamentos cresceram 23,2% no primeiro semestre de 2026, impulsionando mudanças no comportamento dos consumidores e no setor de alimentação
O avanço no uso das chamadas canetas emagrecedoras já começa a transformar os hábitos de consumo dos brasileiros e a impactar o setor de bares e restaurantes. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), levantados pela Fiquem Sabendo e analisados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mostram que as vendas de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida cresceram 23,2% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O maior crescimento foi registrado entre os medicamentos à base de semaglutida em caixa, com alta de 58,8%, especialmente no segundo trimestre, após a queda das patentes dos princípios ativos. Somente em junho, foram registradas 368.741 vendas desses medicamentos.

O aumento do consumo já é percebido pelos empresários do setor de alimentação. Levantamento da Abrasel aponta que 61% dos donos de bares e restaurantes identificaram mudanças no comportamento dos clientes associadas ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro.

Entre os principais efeitos observados estão a maior procura por porções menores, apontada por 64% dos entrevistados, e a redução no consumo de sobremesas, percebida por 65% dos empresários.

Cardápios passam por adaptações
Em Curitiba (PR), o restaurante Babilônia já adaptou seu cardápio para atender ao novo perfil de consumo. Segundo o sócio-proprietário Marcelo Woellner Pereira, os clientes passaram a consumir menos alimentos e a optar por pratos menores ou compartilhados.

Após analisar os dados de vendas, o restaurante criou uma seção chamada "Mais Leves", com versões reduzidas de pratos tradicionais e preços proporcionais, além de revisar as opções para compartilhamento.

Para o empresário, a tendência deve ganhar força com a redução dos preços dos medicamentos.

"Agora, com a abertura de patentes e a produção no Brasil com preços menores, quem ainda não tinha acesso ao produto por questões financeiras vai aderir", avalia.

Mudança também chegou a Belo Horizonte
Na capital mineira, o bar Quinteiro também percebeu a mudança. O sócio André Calixto relata que a experiência começou de forma pessoal, após iniciar o uso de uma das medicações.

Segundo ele, as porções tradicionais passaram a ser grandes demais para quem utiliza esse tipo de medicamento, o que motivou mudanças no cardápio.

O estabelecimento passou a oferecer sanduíches com carnes magras, ampliou as opções de drinques sem álcool e estuda novos petiscos mais leves.

Apesar da alteração no consumo, André afirma que não houve redução no valor médio gasto pelos clientes.

"Eu não senti diminuição do ticket médio. Esse público não se preocupa tanto com o preço; ele quer comer bem", afirma.

Setor acompanha tendência
Para o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, a popularização das canetas emagrecedoras pode provocar novas transformações no mercado de alimentação fora do lar.

Segundo ele, enquanto os medicamentos eram mais acessíveis às classes de maior renda, muitos estabelecimentos investiram em experiências gastronômicas e produtos de maior valor agregado. Com a expectativa de redução dos preços após a queda das patentes, o setor deverá se preparar para atender um público mais amplo.

A avaliação da entidade é de que a adaptação dos cardápios, com porções menores e opções mais leves, tende a se tornar uma estratégia cada vez mais comum para acompanhar as mudanças no comportamento dos consumidores.
Fonte: Abrasel

Gazeta de Varginha

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