top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Vítima de ofensas raciais deixa casa após ataque de vizinho em MG: 'corro risco'

Ação do suspeito foi gravada pela vítima em Boa Esperança (MG). Segundo o boletim de ocorrência, ofensas teriam sido feitas após reclamações sobre os cachorros do autor.


“Eu tive que sair de dentro da minha casa, porque a vítima sou eu. Eu tive que deixar minha casa, tirar minha filha dos brinquedos dela. Eu tive que sair da minha comodidade porque eu corro risco”.

Este é o sentimento da mulher de 45 anos após ter sido ofendida racialmente por um vizinho. Nesta sexta-feira (26), o homem esteve na casa da cerimonialista, onde a insultou de “macaca”, “feia” e “encardida” depois que outra vizinha reclamou dos cães dele. Toda ação foi filmada e repercutiu nas redes sociais.

A história aconteceu em um prédio na região central de Boa Esperança. De acordo com o boletim de ocorrência, um vizinho teria pedido para que o Célio Donizeti Custódio Sobrinho, de 53 anos, abaixasse o volume do som e tentasse acalmar os cachorros porque estava atrapalhando outra vizinha.

Vítima de ofensas raciais deixa casa após ataque de vizinho em MG: 'corro risco' — Foto: Reprodução/EPTV
O suspeito então teria ficado insatisfeito com as reclamações, ido até a casa da vítima e feito ofensas. De acordo com relato da vítima para a EPTV, afiliada Globo, estas denúncias teriam sido feitas por outros vizinhos, porém o autor afirmava que teria sido ela.

“Eu via muito ódio nele. Eu louvo a Deus e agradeço a Deus o tempo todo porque se aquele portão tivesse aberto, certamente eu não estaria sentada aqui”, disse Keila Aparecida Ribeiro, cerimonialista e vítima.

Polícia Civil apura ofensas racistas feitas por homem contra vizinha em MG — Foto: Reprodução/Redes sociais
De acordo com o boletim de ocorrência. Célio já havia insultado o síndico do prédio por mensagens e áudios enviados por meio de aplicativos de mensagem por causa das reclamações dos moradores.

“Pago meu aluguel em dia! Se você ficar incomodado com essas desgraçadas, me tira daqui, entra na justiça e me tira, tá bom? Agora não me manda mais recado que essas desgraçadas, essas feias, são duas pretas, duas pretas feias, esse povo que ninguém quer saber, preta feia, vou repetir, preta feia, preta feia, me tira daqui..."

A outra moradora citada no áudio pelo suspeito é Marluce Oliveira. Ela mora na casa do lado ao prédio.

“A gente pensa que nunca vai acontecer com a gente. A gente sempre vê na televisão. Um dia me perguntaram, você já sofreu racismo? Eu respondi não. E de repente acontece isso com uma pessoa que é vizinho. Foi muito chocante, foi muito desagradável, foi triste e a gente imaginar que isto aconteça todo dia, ne?”, disse Marluce.

Se o crime for definido como racismo ou injúria racial, a lei prevê a prisão da pessoa. Ela não pode ser liberada nem com o pagamento de fiança. Porém, neste caso, o homem foi ouvido e colocado em liberdade. A polícia não informou porque o suspeito foi liberado, mas disse que está investigando o caso.

“O crime de injúria racial foi equiparado ao crime de racismo pela lei 14.532 de 2023 e se tornou inafiançável e imprescritível. Um crime abominável que tem que ser combatido socialmente, juridicamente pela polícia e, naquele momento, era uma situação de flagrante, tinha acabado de acontecer. Quando a Keila desceu para a delegacia tinha acabado de acontecer o fato e, além disso, ela tinha provas, porque ela gravou toda a situação que ocorreu”, explicou a advogada da vítima, Thamires Firmino de Souza.

Em entrevista para a EPTV, afiliada Globo, Keila afirmou que irá buscar os direitos dela na Justiça.

“A gente que é negro vive com o preconceito camuflado em várias áreas. A gente sempre passa por isso, mas eu já tinha vivido coisas parecidas, mas não de tamanha profundidade. A gente percebe ali o racismo subliminar, disfarçadinho em piadinha, mas nesta brutalidade eu nunca tinha passado”, afirmou Keila.

“Espero que ele seja indiciado e ele será responsabilizado criminalmente. Vamos fazer tudo o que for possível para correr atrás das medidas cabíveis juridicamente para que ele responda pelo que ele fez. Isso tem que ser combatido de todas as maneiras. Se as pessoas não querer evoluir por bem, por consciência, vão evoluir pelo rigor da lei”, afirmou a advogada.

A EPTV tentou contato com Célio Donizeti Custódio Sobrinho, de 53 anos. Até o momento desta publicação, ele não havia dado retorno.

FONTE:G1

Commentaires


bottom of page