Zelensky confirma retomada de ataques a refinarias russas e acusa Trump de cortar inteligência e restringir Starlink; "fomos traídos", diz
há 22 minutos
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou ao jornal britânico Financial Times que o bloqueio aos ataques contra refinarias de petróleo da Rússia chegou ao fim e as operações serão retomadas. A decisão foi tomada em meio a crescente tensão com o governo dos Estados Unidos, que havia pressionado Kiev a interromper os bombardeios como parte de um acordo comercial sobre exportação de diesel russo. "O bloqueio acabou. Terminamos", declarou o líder ucraniano. Em entrevista ao programa de Piers Morgan, classificou o acordo firmado por Donald Trump com a Rússia como uma "vitória simples" para o Kremlin e respondeu com um direto "sim" quando perguntado se havia sido traído pelo aliado. "É uma pena que estejamos perdendo um parceiro forte", acrescentou.
O desentendimento vai além dos ataques às refinarias. Zelensky revelou que autoridades americanas avisaram Kiev: se os bombardeios não parassem, os Estados Unidos suspenderiam o compartilhamento de dados de inteligência essenciais à defesa ucraniana, como localização de lançadores de mísseis, trajetórias e horários previstos de ataques. Após a ameaça, os alertas antecipados sobre lançamentos de mísseis balísticos diminuíram. Representantes americanos atribuíram as falhas às condições meteorológicas, mas autoridades ucranianas e europeias suspeitam de corte deliberado. "Não pode ser a verdade", afirmou uma fonte europeia à CNN. Sem essas informações, a capacidade de reação das defesas aéreas fica reduzida, o que dá vantagem direta às forças russas.
Outro ponto crítico envolve o sistema de internet via satélite Starlink, fundamental para comunicação e operações militares ucranianas. A versão militar do serviço, Starshield, sofreu restrições que prejudicaram missões de defesa noturna contra drones russos. Zelensky pediu publicamente a Elon Musk que restabeleça o funcionamento, expressando esperança de que se trate de um problema técnico. Musk, porém, esclareceu que o Starshield pertence e é controlado pelo governo dos EUA; já o Starlink comercial, segundo ele, não pode ser usado para ações ofensivas. Zelensky alertou que a interrupção será paga com vidas: "Esta decisão trará muitas perdas humanas. Pessoas vão morrer".
Enquanto a relação com Washington se deteriora, Zelensky busca reforçar laços com a Europa. Na última semana, esteve em Londres, reunindo-se com o primeiro-ministro Andy Burnham e com o rei Charles III, em busca de apoio contínuo. Os encontros ocorreram no mesmo momento em que a Rússia lançou nova onda de ataques com drones e mísseis, deixando mais de 600 mil ucranianos sem energia elétrica. A ofensiva aconteceu horas depois de Trump declarar que um "cessar-fogo energético" havia entrado em vigor — trégua que nem Moscou nem Kiev confirmaram oficialmente. A disparidade entre o anúncio americano e a realidade no campo de batalha aprofunda a desconfiança de Kiev e levanta dúvidas sobre quem está definindo os termos da paz.
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