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Óculos inteligentes da Meta ampliam debate sobre privacidade e gravações sem consentimento

há 5 dias
3 min de leitura
Foto: Reprodução/Meta
Foto: Reprodução/Meta


Os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, desenvolvidos pela Meta em parceria com a EssilorLuxottica, estão no centro de um debate crescente sobre privacidade. O dispositivo combina câmera, microfones, alto-falantes e inteligência artificial para permitir que o usuário registre imagens, faça chamadas, ouça conteúdos e interaja com a IA sem precisar pegar o celular.

A tecnologia ganhou espaço no mercado, mas também passou a enfrentar críticas de usuários, especialistas e autoridades diante da possibilidade de pessoas serem fotografadas, filmadas ou terem suas vozes captadas sem perceber. O aumento da preocupação ocorre justamente enquanto empresas de tecnologia apostam em dispositivos vestíveis como alternativa aos smartphones.

Os Ray-Ban Meta possuem uma câmera integrada à armação e um LED externo destinado a indicar quando uma foto ou vídeo está sendo registrado. Segundo a própria fabricante, o LED não deve ser coberto durante a utilização da câmera e o usuário recebe uma notificação caso o sistema detecte que o indicador está obstruído. A empresa também orienta que os óculos sejam utilizados respeitando a privacidade, a intimidade e a confidencialidade de outras pessoas.

A preocupação, entretanto, não se limita à gravação de imagens. Os óculos também possuem microfones e podem processar comandos de voz e conteúdos captados pelo dispositivo. Quando o usuário utiliza a inteligência artificial para fazer perguntas sobre o que está vendo, por exemplo, a imagem pode ser enviada aos servidores da Meta para processamento.

De acordo com as informações oficiais da Ray-Ban, fotos e vídeos processados por recursos de inteligência artificial são armazenados e podem ser utilizados para melhorar os produtos da Meta e treinar seus sistemas de IA com auxílio de revisores treinados. O processamento pode envolver objetos, textos e outros elementos presentes nas imagens, além de áudio em determinados recursos.

Esse funcionamento aumentou as discussões sobre quem pode ser captado pelos dispositivos e sobre como os dados são tratados depois de registrados. O receio é especialmente relacionado a situações nas quais uma pessoa aparece em uma gravação sem saber que estava sendo filmada.

Reação contra os óculos

A preocupação com os Ray-Ban Meta já ultrapassou o debate entre usuários e especialistas. Segundo a Reuters, os óculos se tornaram alvo de ações judiciais relacionadas à privacidade e de críticas sobre gravações feitas sem consentimento. Estabelecimentos também começaram a restringir o uso dos dispositivos em determinados ambientes.

No Reino Unido, por exemplo, estabelecimentos como a rede de pubs Wetherspoon adotaram restrições ao uso dos óculos. A reação ocorre em meio a relatos e preocupações sobre pessoas que utilizam câmeras vestíveis para registrar terceiros sem autorização.

Na França, o Ministério Público de Paris abriu neste mês uma investigação criminal relacionada a denúncias de mulheres que teriam sido filmadas na rua sem consentimento e posteriormente expostas na internet. As autoridades não apontaram uma marca específica como alvo da investigação, embora o caso tenha sido associado na imprensa ao debate envolvendo óculos inteligentes com câmera.

No Brasil, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e a organização Coding Rights apresentaram, em agosto, uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e ao Ministério Público Federal. As entidades pediram que fossem investigados possíveis riscos e violações relacionados ao uso dos Ray-Ban Meta, incluindo questões envolvendo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Defesa do Consumidor.

Meta prepara alternativa sem câmera

A discussão sobre privacidade ocorre enquanto a Meta trabalha em uma nova geração de óculos inteligentes. Informações divulgadas antes do evento Meta Connect indicam que a empresa prepara um modelo sem câmera, mantendo recursos como microfones, alto-falantes e interação por voz com inteligência artificial.

A possível mudança ocorre em um momento de forte expansão do mercado de dispositivos vestíveis com IA. A proposta de retirar a câmera busca eliminar justamente uma das principais fontes de preocupação associadas aos atuais óculos inteligentes: a possibilidade de registrar imagens de pessoas ao redor.

A Reuters informou que empresas do setor vêm estudando diferentes formas de equilibrar recursos de inteligência artificial com maior controle dos usuários sobre seus dados. Além dos óculos sem câmera, outras empresas trabalham com dispositivos que priorizam ativação pelo usuário e processamento local das informações.

O debate sobre os óculos inteligentes, portanto, envolve não apenas a evolução tecnológica dos dispositivos, mas também questões sobre consentimento, transparência e tratamento de dados pessoais. À medida que câmeras, microfones e sistemas de inteligência artificial passam a fazer parte de objetos usados no cotidiano, aumenta a discussão sobre como proteger a privacidade de quem utiliza esses equipamentos e também das pessoas que estão ao redor.

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