Órgãos avaliam implantação de sistema antidrones no Aeroporto de Guarulhos
há 3 horas
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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, poderá receber um sistema capaz de detectar, monitorar, mitigar e neutralizar drones que entrem irregularmente no espaço aéreo do terminal. A implantação está sendo avaliada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e pela Polícia Federal.
A proposta prevê a instalação de equipamentos capazes de identificar drones e, quando necessário, impedir que os aparelhos continuem operando em áreas consideradas de risco para a aviação. Atualmente, nenhum aeroporto brasileiro possui um sistema avançado com essa capacidade de forma permanente.
Segundo o Decea, pelo menos 52 ocorrências envolvendo drones que impactaram a aviação regular foram registradas no Brasil em 2026. Desse total, 14 ocorreram no Aeroporto de Guarulhos, que já teve operações afetadas pela presença desses equipamentos nas proximidades das pistas.
A discussão ocorre após uma série de episódios em que drones foram identificados próximos ao aeroporto. Em agosto, por exemplo, um equipamento não autorizado foi avistado perto de uma das pistas, provocando a suspensão temporária de pousos e decolagens. Na ocasião, voos tiveram de ser desviados para outros aeroportos.
Em fevereiro, também houve interrupções nas operações de Guarulhos provocadas pela presença de drones. Os episódios levaram a cancelamentos, desvios de aeronaves e impactos na rotina de passageiros e companhias aéreas.
Como funcionaria o sistema
O modelo em avaliação não depende de apenas um equipamento. Sistemas antidrones, conhecidos internacionalmente como C-UAS, podem combinar radares, sensores de radiofrequência, câmeras e outros recursos para detectar, identificar e acompanhar aeronaves não tripuladas.
Depois da identificação, o sistema pode determinar o nível de ameaça e definir uma resposta. Entre as tecnologias existentes estão mecanismos capazes de interferir nos sinais de comunicação ou navegação do drone, além de métodos destinados a assumir seu controle ou fazer com que o equipamento deixe de representar risco.
Em um aeroporto, a escolha da tecnologia precisa levar em consideração a presença de aeronaves, passageiros, funcionários e estruturas no entorno. Por isso, métodos capazes de neutralizar o drone sem provocar sua destruição física podem ser considerados mais adequados para determinadas situações.
Guarulhos será usado como referência
O Ministério de Portos e Aeroportos já estabeleceu diretrizes para que Guarulhos seja o primeiro aeroporto brasileiro a receber um projeto específico de detecção, monitoramento, mitigação e neutralização de drones.
A aquisição, implantação e operação dos equipamentos deverão ficar sob responsabilidade da concessionária do aeroporto, seguindo requisitos técnicos e de segurança estabelecidos pelos órgãos competentes. Os equipamentos utilizados deverão ser homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá realizar uma avaliação de risco e de custo-benefício para a implantação do sistema em Guarulhos, com participação da Polícia Federal e do Decea.
O projeto também deverá estabelecer as áreas de proteção e os procedimentos para eventual suspensão e retomada das operações aéreas. O administrador do aeroporto será responsável pela primeira resposta diante de ocorrências e pela comunicação às autoridades.
A escolha de Guarulhos para iniciar a avaliação está relacionada à importância do aeroporto para a malha aérea brasileira e ao histórico de ocorrências envolvendo drones no entorno do terminal.
A experiência poderá servir posteriormente para determinar se sistemas semelhantes deverão ser instalados em outros aeroportos do país. A expansão dependerá dos resultados da avaliação de risco e custo-benefício realizada pelos órgãos responsáveis.
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