ACIV alerta para impacto das apostas on-line no comércio e no orçamento das famílias de Varginha
há 17 horas
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O crescimento das apostas on-line no Brasil passou a chamar a atenção do setor comercial diante da possibilidade de parte da renda destinada ao consumo, à contratação de serviços e ao pagamento de dívidas estar sendo direcionada às chamadas bets.
A Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Varginha (ACIV) alertou para os possíveis efeitos desse comportamento sobre o orçamento familiar e, consequentemente, sobre a economia e o comércio local. Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril de 2026, estimou que cerca de R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo brasileiro entre janeiro de 2023 e março de 2026 em razão das apostas on-line. O valor é próximo ao volume movimentado pelo comércio brasileiro nos Natais de 2024 e 2025 somados.
A CNC também estimou que os gastos dos brasileiros com plataformas de apostas ultrapassaram R$ 30 bilhões por mês. Segundo a entidade, o comprometimento da renda com jogos poderia ter contribuído para levar aproximadamente 270 mil famílias à inadimplência severa.
Para o presidente da ACIV, André Yuki, o impacto também precisa ser analisado do ponto de vista econômico.
“Quando uma pessoa compromete uma parte cada vez maior da sua renda com apostas, naturalmente sobra menos dinheiro para outras despesas. É um recurso que poderia ser usado no supermercado, em uma loja, em um restaurante, na contratação de um serviço ou mesmo para colocar as contas em dia. Quando isso acontece em grande escala, o comércio também sente”, afirmou.
O Banco Central também já havia identificado o peso das apostas no orçamento dos brasileiros. Em estudo divulgado em 2024, a instituição estimou que aproximadamente 24 milhões de pessoas realizaram ao menos uma transferência via Pix para empresas de jogos e apostas durante o período analisado. Na época, o volume mensal dessas transferências ficou entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.
Na avaliação da ACIV, quando parte da renda é comprometida com apostas, o consumidor pode adiar compras, reduzir gastos ou ter mais dificuldade para manter compromissos financeiros. A entidade defende que o tema seja tratado principalmente sob a perspectiva da educação financeira e do consumo consciente.
Desde janeiro de 2025, o mercado de apostas de quota fixa funciona de forma regulamentada no Brasil. Mesmo assim, o crescimento do setor e o volume movimentado pelas plataformas ampliaram a discussão sobre seus possíveis impactos sociais e econômicos.
“Apostar precisa ser entendido como entretenimento, e não como investimento ou uma maneira de complementar a renda. Quando a aposta começa a comprometer o dinheiro necessário para as despesas da família, deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ter reflexos econômicos e sociais”, completou André Yuki.
Os números da CNC são estimativas baseadas em modelos econômicos e tiveram a metodologia questionada por representantes do setor de apostas, que argumentaram que o endividamento das famílias possui diversas causas. Ainda assim, os valores movimentados pelas bets mostram a relevância do segmento e mantêm em debate seus efeitos sobre o consumo e a economia.
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