Apesar de comemorado por governos e por setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e de ambientalistas, que apontam possÃveis impactos sobre o clima e sobre a concorrência no setor agrÃcola. A implementação do tratado será gradual, e os efeitos práticos devem ocorrer ao longo de vários anos.
Diversos produtos industriais terão tarifa zero desde o inÃcio da vigência do acordo, beneficiando setores como máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos quÃmicos, aeronaves e equipamentos de transporte.
Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação. Acima desses limites, seguirá a cobrança de tarifas. As cotas crescerão de forma gradual, com redução tarifária progressiva, buscando evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus. Na União Europeia, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil. No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
Salvaguardas agrÃcolas
A UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente caso as importações ultrapassem limites definidos ou se os preços ficarem muito abaixo do mercado europeu, especialmente em cadeias consideradas sensÃveis.
Compromissos ambientais obrigatórios
Os produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar associados a desmatamento ilegal. As cláusulas ambientais são vinculantes e preveem a possibilidade de suspensão do tratado em caso de violação do Acordo de Paris.
Regras sanitárias mantidas
A União Europeia não flexibilizará seus padrões sanitários e fitossanitários. Todos os produtos importados deverão seguir regras rÃgidas de segurança alimentar.
O acordo prevê redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros, com avanços em áreas como serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais.
Compras públicas
Empresas do Mercosul poderão participar de licitações públicas na União Europeia, com regras mais transparentes e previsÃveis.
A assinatura está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai. Em seguida, o texto precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A entrada em vigor ocorrerá apenas após a conclusão de todos os trâmites legais.