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Agente que fez check-in de sequestradores do 11 de Setembro revela remorso e desenvolve transtorno dissociativo

há 5 horas
2 min de leitura

Reprodução
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Michael Tuohey trabalhava como agente de atendimento ao cliente em um aeroporto dos Estados Unidos na manhã de 11 de setembro de 2001. Naquela ocasião, ele foi o profissional que realizou o check-in de dois dos sequestradores que participariam dos ataques terroristas: Mohammed Atta e Abdul Aziz al Omari. Os dois embarcaram no Voo 11 da American Airlines, que posteriormente foi lançado contra a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York.

Apesar de ter tido um pressentimento de que algo não estava certo em relação aos dois passageiros, Tuohey decidiu não agir apenas com base em sua impressão pessoal. Ele seguiu todos os procedimentos vigentes à época: verificou que as passagens haviam sido compradas com antecedência e pagas com cartão de crédito, não apresentando os sinais de alerta que acendem quando bilhetes são comprados em dinheiro e de última hora. "Eu segui todas as orientações, fiz o meu trabalho", recorda.

Anos depois, já aposentado e com 80 anos de idade, Tuohey confessa que carrega o peso daquela decisão. "Meu instinto estava certo, mas havia leis contra discriminação por perfil. Eu não segui meu instinto. E acabou sendo uma coisa terrível", afirma. Ele permaneceu no emprego por mais três anos após os ataques, mas começou a sofrer com lembranças traumáticas e alucinações relacionadas ao dia. Chegou a ver a imagem de Atta em carros que passavam pela rua de sua casa e a ter comportamentos de desconexão com a realidade.

Procurando ajuda, recebeu o diagnóstico de transtorno dissociativo e passou por cerca de seis meses de terapia, na qual revivia aquela manhã repetidamente. Com o tratamento, os sintomas diminuíram e ele voltou a se sentir "normal". Mesmo assim, a reflexão permanece: "Não é que eu estivesse certo. É só que isso poderia ter mudado alguma coisa. Não que teria mudado, mas poderia ter mudado. Quem sabe?"

O relato de Tuohey traz à tona também as grandes transformações que os ataques provocaram nos Estados Unidos. Foram criadas novas agências de segurança, reformulados todos os procedimentos de triagem em aeroportos e promulgadas leis que redefiniram a vigilância e a segurança nacional — mudanças que só vieram a acontecer justamente porque falhas como aquela foram identificadas após o ocorrido.

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Gazeta de Varginha

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