Aluna denuncia invasão de privacidade após câmera ser encontrada em banheiro de colégio cívico-militar no Paraná
há 7 horas
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A descoberta de uma câmera de monitoramento no banheiro feminino do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do Paraná, provocou indignação entre estudantes e familiares. Uma das alunas, Alessa Gabriele, afirmou ter se sentido invadida ao descobrir que o ambiente onde costumava trocar de roupa tinha um equipamento de gravação.
“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, relatou a estudante.
O caso veio à tona na segunda-feira (19), quando uma aluna percebeu uma luz vermelha piscando em um aparelho instalado na parede do banheiro. Ao examinar o equipamento, ela encontrou uma câmera escondida atrás de uma proteção plástica.
No dia seguinte, terça-feira (20), estudantes e familiares realizaram um protesto em frente à instituição para exigir esclarecimentos da direção sobre a instalação dos dispositivos e a possível captação de imagens em um espaço reservado à privacidade dos alunos.
Estudantes dizem que equipamento era apresentado como sensor de fumaça
De acordo com os relatos registrados em boletim de ocorrência, as alunas já sabiam da existência de um aparelho no banheiro havia aproximadamente três anos. Na época, porém, a direção teria informado que o equipamento era um sensor de fumaça, utilizado para evitar que estudantes fumassem no local.
A situação se tornou ainda mais preocupante depois que outro aluno conseguiu acessar o sistema de monitoramento da escola e fotografar as imagens exibidas em um computador na sala de vigilância. Segundo os relatos dos estudantes, os registros mostravam partes do banheiro feminino, incluindo espelhos e cabines sanitárias.
As alunas afirmaram que não haviam sido informadas sobre a existência de câmeras no ambiente e que os pais ou responsáveis não assinaram documentos autorizando a captação de imagens nos sanitários.
No boletim de ocorrência, as estudantes também relataram que utilizaram recentemente a área comum do banheiro para trocar de roupa antes de uma sessão de fotografias. Por isso, temem que seus corpos tenham sido registrados sem consentimento.
O relato de Alessa evidencia a preocupação das estudantes com a possibilidade de as imagens terem sido acessadas por integrantes da equipe responsável pelo monitoramento militar da unidade.
Direção nega gravações dentro das cabines
A direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo confirmou a instalação de equipamentos de monitoramento nos acessos aos banheiros masculino e feminino. Entretanto, negou que as câmeras registrassem os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes.
Em comunicado encaminhado aos pais e responsáveis, a instituição afirmou que os dispositivos estavam direcionados às portas de entrada dos sanitários e tinham como finalidade acompanhar a circulação de pessoas e contribuir para a segurança escolar.
A direção também declarou que um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando uma imagem que posteriormente foi compartilhada. Segundo a escola, as circunstâncias desse acesso e da divulgação do material serão apuradas.
A instituição ainda classificou como vandalismo a retirada forçada das câmeras durante a mobilização dos estudantes e informou que adotará medidas administrativas, além de encaminhar o caso aos órgãos competentes.
A administração reiterou que o monitoramento de salas de aula, corredores e acessos deve respeitar a dignidade e a privacidade dos alunos.
Secretaria da Educação afirma que equipamentos foram retirados
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informou que, assim que tomou conhecimento da instalação das câmeras nos banheiros, orientou a direção da escola sobre as providências necessárias para garantir a privacidade e a segurança dos estudantes.
Segundo a secretaria, a própria instituição informou que os equipamentos foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles.
O Núcleo Regional de Educação de Londrina deverá enviar uma equipe ao colégio para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos.
A Seed-PR ressaltou que o monitoramento em unidades escolares precisa respeitar integralmente a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes e de toda a comunidade escolar. O órgão também afirmou que acompanha o caso e que as medidas cabíveis serão adotadas após a apuração dos fatos.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil do Paraná instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da instalação e do funcionamento das câmeras no colégio.
A investigação deverá esclarecer quais áreas eram efetivamente captadas pelos equipamentos, quem tinha acesso ao sistema de monitoramento e se houve gravação ou acesso indevido a imagens dos estudantes.
Até o momento, as versões apresentadas são divergentes: enquanto as alunas relatam que as imagens exibiam partes internas dos banheiros e temem ter tido sua intimidade exposta, a direção afirma que as câmeras estavam voltadas apenas às entradas dos sanitários.
A confirmação de que os equipamentos foram instalados e a retirada dos dispositivos não encerram a apuração. As autoridades ainda precisam esclarecer as condições em que o monitoramento era realizado e se houve violação da privacidade dos alunos.
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