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Apenas quatro sistemas antidrones reforçam polícias do Rio em meio ao avanço tecnológico das facções

há 4 horas
4 min de leitura
Apenas quatro sistemas antidrones reforçam polícias do Rio em meio ao avanço tecnológico das facções
FotoDivulgação/ As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro receberam quatro sistemas antidrones do Governo Federal. A entrega ocorre em meio ao aumento das apreensões e das denúncias sobre o uso dessas aeronaves por organizações criminosas.
O Governo Federal entregou quatro sistemas antidrones às forças de segurança do Rio de Janeiro para reforçar o enfrentamento ao uso criminoso de aeronaves não tripuladas. A entrega ocorreu em 15 de outubro de 2026, durante uma cerimônia no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Do total, dois equipamentos foram destinados à Polícia Civil e dois à Polícia Militar.

A medida busca ampliar os recursos tecnológicos disponíveis às corporações diante do uso de drones por organizações criminosas para monitorar operações policiais, acompanhar deslocamentos de grupos rivais e lançar explosivos. A quantidade de equipamentos, porém, chama a atenção diante dos registros de apreensões, ataques investigados e denúncias relacionadas ao uso dessas aeronaves no estado.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar e publicadas pela imprensa, mais de 40 drones foram apreendidos entre janeiro e agosto de 2026. Em todo o ano de 2025, haviam sido recolhidos pouco mais de 20 aparelhos. Os números indicam um aumento das apreensões e reforçam a preocupação das autoridades com a presença dessa tecnologia nas atividades criminosas.

A entrega federal de dois sistemas à Polícia Militar e dois à Polícia Civil não significa que esses sejam os únicos equipamentos disponíveis às corporações. No entanto, a quantidade disponibilizada pelo governo federal levanta questionamentos sobre a abrangência do reforço, especialmente diante da expansão do uso de drones por facções.

Facções utilizam drones para vigilância e ataques
O emprego de aeronaves não tripuladas por organizações criminosas não é recente. Em setembro de 2024, a Polícia Federal realizou a Operação Buzz Bomb, que investigou o uso de drones adaptados para lançar explosivos em disputas territoriais no Rio de Janeiro.

Em outubro de 2025, criminosos utilizaram drones para lançar granadas durante uma operação policial nos complexos da Penha e do Alemão. Já em agosto de 2026, imagens obtidas pelas autoridades mostraram integrantes de uma facção organizando treinamentos para ensinar pessoas a operar drones em uma comunidade do Complexo da Penha.

Os registros apontam para uma utilização cada vez mais estruturada desses equipamentos. Além da aquisição das aeronaves, a preparação de operadores pode ampliar a capacidade dos grupos de utilizar a tecnologia em atividades de vigilância, disputas territoriais e ataques.

Investigações e denúncias apontam crescimento da ameaça
Em agosto de 2026, um levantamento divulgado pela imprensa apontou que a Polícia Civil investigava 18 ataques atribuídos a facções criminosas envolvendo drones.

No mesmo período, dados do Disque Denúncia indicavam que os registros relacionados ao uso dessas aeronaves por traficantes e milicianos haviam passado de 86, em 2025, para 287, em 2026.

Os números precisam ser interpretados com cautela: denúncias não correspondem necessariamente a aeronaves diferentes, assim como as apreensões não permitem determinar quantos drones continuam em circulação. Ainda assim, o aumento dos registros evidencia a preocupação com a disseminação desse tipo de recurso em diferentes áreas do estado.

Governo estadual havia anunciado compra de 80 sistemas
O Governo do Rio de Janeiro anunciou, em agosto de 2025, a intenção de adquirir 80 sistemas de neutralização de drones, com investimento estimado em R$ 27 milhões. A previsão era destinar os equipamentos às polícias Civil e Militar e à estrutura penitenciária, com o objetivo de reforçar a proteção de unidades e áreas consideradas sensíveis.

Entretanto, conforme reportagem do G1 reproduzida pelo Disque Denúncia, a licitação foi cancelada no início do processo. O governo estadual atribuiu a decisão a mudanças nas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A aquisição estadual e a doação federal anunciada em outubro são iniciativas distintas. Até o momento indicado pelas informações divulgadas, não havia confirmação pública de que os 80 sistemas inicialmente previstos tivessem sido entregues posteriormente.

A diferença entre o planejamento estadual e a quantidade da doação federal reforça o debate sobre a dimensão dos recursos necessários para enfrentar o uso de drones por organizações criminosas.

Equipamento antidrone é apreendido com suspeitos
Em 21 de outubro, policiais militares do 41º Batalhão de Polícia Militar apreenderam três fuzis e um equipamento antidrone na comunidade Para-Pedro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com informações policiais divulgadas pela imprensa, o dispositivo estaria associado a integrantes do Terceiro Comando Puro e poderia ser utilizado para interferir no funcionamento de aeronaves empregadas em operações policiais ou em confrontos entre facções.

A apreensão ocorreu seis dias após a cerimônia de entrega dos quatro sistemas federais às polícias fluminenses. Embora não seja possível comparar diretamente as capacidades dos equipamentos envolvidos, o episódio evidencia que a disputa tecnológica também inclui recursos destinados a interferir no funcionamento de drones.

Capacidade dos sistemas entregues não foi detalhada
O Ministério da Justiça apresentou a doação como parte de uma estratégia de integração entre tecnologia, inteligência e cooperação com o governo estadual. Entretanto, as informações disponíveis não detalham aspectos como o alcance dos sistemas, a capacidade de neutralização simultânea, o número de equipes atendidas ou a previsão de novas entregas.

Esses dados são importantes para dimensionar a contribuição dos equipamentos diante dos riscos enfrentados pelas forças de segurança em diferentes regiões do estado.

O uso de drones por facções amplia os desafios das operações policiais, que passam a envolver não apenas ameaças em terra, mas também aeronaves empregadas para vigilância e ataques. Nesse contexto, a efetividade da resposta depende da capacidade de acompanhar a evolução tecnológica dos grupos criminosos e de avaliar quais recursos são necessários para proteger os agentes e a população.
Fonte: SociedadeMilitar

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