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PF investiga grupos suspeitos de causar prejuízo a mais de 10 mil investidores e bloqueia até R$ 100 milhões

há 2 horas
3 min de leitura
Foto: Reprodução/PF
Foto: Reprodução/PF


A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (22) a Operação São Silvestre para investigar grupos suspeitos de promover fraudes financeiras por meio de plataformas digitais de investimentos. Segundo as apurações, os sistemas ofereciam aplicações em criptomoedas e operações automatizadas por robôs, com promessas de rentabilidade incompatíveis com os padrões do mercado financeiro.

A operação cumpre 12 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros. Além das diligências, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas, até o limite de R$ 100 milhões. A medida busca preservar o patrimônio dos investigados e possibilitar uma eventual reparação dos prejuízos sofridos pelas vítimas.

As investigações indicam que os grupos captaram recursos de investidores no Brasil e no exterior entre 2018 e 2020. A estimativa é de que mais de 10 mil pessoas tenham sido prejudicadas pelos supostos esquemas.

Plataformas prometiam ganhos de até 70% ao mês

De acordo com a Polícia Federal, as plataformas investigadas atraíam investidores com ofertas de aplicações em criptomoedas e operações financeiras supostamente executadas de maneira automatizada por robôs.

Entre as promessas de rentabilidade divulgadas estavam ganhos de 2% a 3% ao dia e de 10% a 70% ao mês. Os percentuais eram utilizados para atrair pessoas interessadas em obter retornos elevados sobre o dinheiro investido.

Os investigadores identificaram características compatíveis com esquemas de pirâmide financeira, modalidade em que a captação de recursos pode depender da entrada de novos participantes, sem que os rendimentos prometidos sejam sustentados por resultados efetivos das operações anunciadas.

A apuração busca esclarecer como os recursos eram captados, para onde eram direcionados e qual era a participação de cada pessoa e empresa envolvida. Também procura identificar a dimensão dos prejuízos e rastrear o patrimônio que possa estar relacionado às suspeitas.

Operação cumpre 12 mandados em cinco estados

As ordens judiciais são executadas em dez municípios de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

Em Santa Catarina, os agentes cumprem mandados em Florianópolis, Blumenau, Pomerode, Indaial e Rio do Sul. No Paraná, as diligências ocorrem em Curitiba. Em São Paulo, o município investigado é Álvares Machado. Em Minas Gerais, há uma ação em Belo Horizonte. Já em Pernambuco, os mandados são cumpridos em Jaboatão dos Guararapes e Recife.

A distribuição dos mandados é a seguinte:

Florianópolis (SC): um mandado;

Blumenau (SC): dois mandados;

Pomerode (SC): um mandado;

Indaial (SC): um mandado;

Rio do Sul (SC): um mandado;

Curitiba (PR): dois mandados;

Álvares Machado (SP): um mandado;

Belo Horizonte (MG): um mandado;

Jaboatão dos Guararapes (PE): um mandado;

Recife (PE): um mandado.

As medidas foram autorizadas pelo 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina. A intenção é reunir documentos e outros elementos que ajudem a esclarecer a estrutura dos grupos, identificar os responsáveis e acompanhar a movimentação dos valores captados.

Justiça bloqueia bens de pessoas e empresas investigadas

O bloqueio patrimonial autorizado pela Justiça alcança 15 pessoas físicas e 13 empresas, com limite de R$ 100 milhões. A medida pretende impedir que recursos eventualmente relacionados às suspeitas sejam transferidos ou ocultados durante o andamento das investigações.

O valor corresponde ao teto autorizado para o bloqueio, não necessariamente ao total dos prejuízos sofridos pelos investidores ou à quantia já recuperada pelas autoridades.

A preservação desses bens também busca assegurar recursos para uma possível reparação financeira às vítimas, caso as irregularidades sejam comprovadas e haja determinação judicial nesse sentido.

Investigados foram indiciados por cinco categorias de crimes

Segundo a Polícia Federal, os investigados foram indiciados por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e crimes contra o mercado de capitais.

As suspeitas envolvem a captação de recursos por meio das plataformas e a possível movimentação irregular do dinheiro obtido dos investidores.

O indiciamento representa a avaliação da autoridade policial sobre a existência de indícios de envolvimento em crimes. Não equivale a uma condenação, e a responsabilidade de cada investigado deverá ser examinada pelas autoridades competentes.

A operação pretende avançar na análise dos elementos reunidos, esclarecer a dimensão do suposto esquema e identificar os caminhos percorridos pelos recursos financeiros.

PF orienta investidores a apresentar documentos

A Polícia Federal orienta pessoas que tenham investido nas plataformas investigadas e possuam comprovantes dos aportes a encaminhar as informações para o endereço eletrônico denunciapiramides.iji@pf.gov.br.

Os documentos podem auxiliar na identificação dos investimentos realizados, dos valores transferidos e das possíveis perdas relacionadas às plataformas.

A colaboração dos investidores também pode contribuir para ampliar as informações disponíveis aos investigadores e esclarecer se outras pessoas foram atingidas pelos grupos suspeitos.

A Operação São Silvestre busca, portanto, identificar os responsáveis pelas supostas fraudes, rastrear o dinheiro captado e preservar bens que possam ser utilizados para reparar os danos financeiros caso as irregularidades sejam confirmadas.

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