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Arqueólogos encontram naufrágio de até 4.700 anos na costa da Turquia, considerado o mais antigo já identificado

há 17 horas
4 min de leitura


Arqueólogos descobriram, na costa sul da Turquia, o que pode ser o naufrágio mais antigo já identificado no mundo. A embarcação teria afundado há entre 4.400 e 4.700 anos, durante o início da Idade do Bronze, período que coincide aproximadamente com a construção da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.

Os destroços foram encontrados nas proximidades da ilha de Kekova, na província de Antália, no litoral do Mar Mediterrâneo. Embora a estrutura de madeira do navio não tenha resistido à passagem dos milênios, os pesquisadores localizaram dezenas de recipientes de cerâmica e âncoras de pedra espalhados pelo fundo do mar, a aproximadamente 30 metros de profundidade.

A descoberta pode ampliar o conhecimento sobre as antigas rotas comerciais marítimas e as relações entre diferentes povos do Mediterrâneo oriental. Os objetos encontrados indicam que a embarcação transportava mercadorias e permitem investigar como os produtos circulavam entre regiões há quase cinco mil anos.

Ânforas ajudaram a identificar a idade do naufrágio

Durante as escavações subaquáticas, os mergulhadores encontraram mais de 30 recipientes de cerâmica conhecidos como ânforas, além de três grandes âncoras de pedra. As ânforas eram utilizadas para armazenar e transportar mercadorias e apresentam características que ajudam os arqueólogos a identificar o período em que foram produzidas.

Como a madeira do navio não foi preservada, não foi possível utilizar a datação por radiocarbono diretamente na estrutura da embarcação. Por isso, os pesquisadores analisaram o formato, a decoração e o estilo dos recipientes encontrados no local.

As peças apresentam semelhanças com cerâmicas produzidas no Egito e no Oriente Médio há milhares de anos. A comparação com objetos encontrados em outros sítios arqueológicos permitiu situar o naufrágio entre 4.400 e 4.700 anos atrás.

A análise dos materiais também indica que parte dos recipientes pode ter sido produzida no Vale do Jordão, região que atualmente abrange áreas do Oriente Médio. A hipótese reforça a possibilidade de que o navio estivesse envolvido em rotas comerciais que conectavam diferentes centros de produção e consumo.

O que o navio transportava

Os arqueólogos acreditam que a embarcação era um navio mercante utilizado para transportar produtos pelo Mediterrâneo oriental. Entre as possibilidades investigadas estão o azeite de oliva e o vinho, mercadorias que eram armazenadas em recipientes de cerâmica na Antiguidade.

Algumas das ânforas recuperadas ainda apresentam resíduos em seu interior. Os pesquisadores esperam analisar esse material para identificar o que era transportado e obter mais informações sobre as atividades comerciais da época.

Os vestígios preservados podem ajudar a esclarecer não apenas quais produtos eram comercializados, mas também como os recipientes eram utilizados e reutilizados ao longo do tempo.

A embarcação teria aproximadamente dez metros de comprimento, segundo informações divulgadas sobre a descoberta. Os pesquisadores consideram que ela fazia parte de uma rede de transporte marítimo que conectava comunidades costeiras e regiões produtoras de mercadorias.

Entre as hipóteses levantadas está a possibilidade de o navio ter partido da costa oriental do Mediterrâneo, em uma região que hoje abrange países como Síria, Líbano e Israel, além de áreas palestinas. O destino poderia ser Troia, no atual território turco, ou a ilha de Creta, na Grécia.

A rota exata, porém, ainda não foi confirmada.

Escavações exigem cuidados especiais

O naufrágio está localizado em uma área subaquática com condições que dificultam o trabalho dos arqueólogos. Os objetos estão espalhados por uma encosta no fundo do mar, a cerca de 30 metros de profundidade, o que limita o tempo que os mergulhadores podem permanecer no local.

De acordo com os pesquisadores, cada mergulho precisa ser planejado cuidadosamente, e o tempo de exploração fica limitado a aproximadamente 30 minutos por vez.

A região próxima à ilha de Kekova também possui outros vestígios de embarcações antigas. Correntes marítimas e ventos fortes são apontados como fatores que contribuíram para a ocorrência de naufrágios ao longo da costa.

A equipe responsável pelas escavações é liderada por Hakan Öniz, professor associado da Universidade Akdeniz, em Antália, e conta com a participação de especialistas em arqueologia e cerâmica antiga.

A arqueóloga Karin Sowada, da Universidade Macquarie, na Austrália, também participou da análise dos materiais recuperados. Ela ficou impressionada com a quantidade de resíduos que ainda permaneciam visíveis em alguns recipientes, apesar de milhares de anos de permanência no fundo do mar.

Descoberta pode mudar o recorde de naufrágios antigos

Antes dessa descoberta, um naufrágio localizado nas proximidades da ilha de Dokos, na Grécia, era considerado o mais antigo conhecido, com aproximadamente 4.200 anos.

O achado na costa turca pode superar esse recorde, caso a datação e a interpretação arqueológica sejam confirmadas. A comparação também exige distinguir os naufrágios mais antigos identificados daqueles em que partes da estrutura original do navio ainda estão preservadas.

No caso da embarcação encontrada perto de Kekova, a madeira desapareceu, mas a carga de cerâmica permaneceu no fundo do mar. Os recipientes fornecem pistas sobre a época do naufrágio e as atividades econômicas desenvolvidas naquele período.

A descoberta oferece uma oportunidade de investigar como os antigos navegadores transportavam mercadorias, quais produtos eram comercializados e como as comunidades do Mediterrâneo mantinham contato umas com as outras.

As autoridades turcas informaram que os artefatos recuperados deverão ser exibidos em Antália nos próximos meses, em uma iniciativa ligada à preservação do patrimônio arqueológico subaquático do país.

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