Ataque cibernético atinge sistemas de refrigeração de cerca de 700 supermercados na França; temperaturas subiram a 50°C, alimentos foram perdidos e incêndios foram registrados
há 2 horas
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Na madrugada desta segunda-feira (12), uma ação coordenada de invasores digitais atingiu sistemas de refrigeração de aproximadamente 700 estabelecimentos de venda de alimentos em toda a França. Os hackers acessaram remotamente os equipamentos que controlam a temperatura de geladeiras e freezers e ativaram ciclos de degelo, fazendo com que os termômetros subissem de forma drástica. Em alguns expositores, a temperatura chegou a atingir 50°C e permaneceu nesse patamar por cerca de seis horas. Funcionários que chegaram ao trabalho pela manhã encontraram grandes poças de água derretida sob os equipamentos e todo o estoque de produtos frescos e congelados estragado; em casos mais graves, o superaquecimento provocou princípios de incêndio. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria e não houve pedido de pagamento de resgate, o que leva especialistas a avaliar que o objetivo foi causar desestabilização econômica e prejuízos.
A investigação conduzida pela Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França (ANSSI) identificou que os invasores exploraram falhas em controladores fornecidos por pelo menos três empresas: a dinamarquesa Danfoss e as americanas Copeland e Dixell. Segundo levantamento do pesquisador de segurança Félix Aimé, antes do ataque havia mais de 1.700 sistemas vulneráveis da Danfoss expostos abertamente à internet no território francês. Um relatório publicado em agosto pela empresa de cibersegurança Claroty já havia apontado a fragilidade do modelo AK-SM 800A, que permitia contornar mecanismos de autenticação e alterar temperaturas remotamente. A Danfoss reconheceu que muitos aparelhos não recebiam mais atualizações de segurança; a Copeland, por sua vez, informou que a vulnerabilidade afeta uma geração já descontinuada de equipamentos e que auxilia os clientes afetados.
As principais redes de supermercados atingidas divulgaram os números de lojas prejudicadas: a Carrefour registrou até 80 unidades com problemas; a Monoprix, 5% das 490 lojas; a rede Les Mousquetaires teve 150 estabelecimentos afetados; e a Coopérative U contabilizou cerca de 80 pontos de venda. Os prejuízos já são estimados em milhões de euros e devem crescer conforme os levantamentos finais forem concluídos. O ministro da Economia, Roland Lescure, classificou o episódio como um aviso urgente para todos os setores: "Quando descobrimos esse ataque cibernético, ficamos preocupados com a capacidade de nossas cadeias de distribuição de fornecer alimentos adequadamente a todos os cidadãos", declarou, tranquilizando porém a população de que não há risco de desabastecimento imediato. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, reforçou que a segurança alimentar passa agora também por proteção digital: "A instrumentalização dos alimentos se tornou uma realidade".
Especialistas explicam que o ataque foi facilitado porque os sistemas de gestão de refrigeração foram conectados à internet pública sem camadas de proteção suficientes, possivelmente por terem sido terceirizados sem supervisão adequada. Ken Munro, consultor em segurança digital, afirmou que invadir os equipamentos não foi uma tarefa complexa e recomendou que, daqui para frente, esses controladores operem em redes isoladas e que as empresas cobrem dos fornecedores garantias de proteção. O caso ganha dimensão política porque ocorre poucas semanas depois de o presidente Emmanuel Macron anunciar um novo plano nacional de defesa cibernética, alertando especificamente sobre ameaças híbridas atribuídas à Rússia. As autoridades francesas mantêm investigação aberta para identificar a origem dos ataques e recomendam que todas as redes de comércio e serviços revisem imediatamente a segurança de equipamentos conectados à internet.
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