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El Niño deve persistir até início de 2027 e pressionar preços de alimentos; alimentação em casa sobe 0,96% em setembro após três meses de queda

há 1 hora
2 min de leitura

Reproduição
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O alívio que o consumidor sentiu nos preços dos alimentos nos últimos meses perdeu força, e a perspectiva para o fim do ano é de encarecimento generalizado. O IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,96% no grupo de alimentação no domicílio — resultado que interrompeu três meses consecutivos de queda. O setor de alimentação e bebidas avançou 0,83% e contribuiu com 0,18 ponto percentual para a inflação geral do mês, que ficou em 0,82%. Em doze meses, a acumulação chega a 4,58%, ultrapassando o teto de 4,50% da meta oficial. Os sinais de reversão são claros: produtos que haviam caído de preço, como tomate, batata-inglesa e cebola, voltaram a subir, reflexo direto das condições climáticas que afetam as lavouras nas regiões produtoras.

O cenário é ainda mais preocupante quando se olha para a previsão climática. Segundo boletim do Inmet, o fenômeno El Niño deve se intensificar entre a primavera e o verão e permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. O que se convencionou chamar de "inflação climática" passa a ser realidade: chuvas acima do padrão ou períodos de seca prolongada podem prejudicar o desenvolvimento das culturas, dificultar a colheita e reduzir a quantidade de produtos que chegam às prateleiras. Embora nem toda a alta registrada em setembro possa ser atribuída exclusivamente ao clima, especialistas concordam que os produtos mais sensíveis — hortaliças, frutas e legumes — já estão respondendo às alterações de temperatura e umidade, com reflexo imediato nos valores praticados no varejo.

Além dos fatores ligados ao clima, a sazonalidade dos produtos também pressiona os preços. Os cortes de carne, que vinham em trajetória de queda, começaram a subir e devem continuar em movimento de alta nos próximos meses, conforme explica o economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners. Essa combinação — clima desfavorável somado à variação natural de oferta ao longo das estações — cria um cenário em que qualquer surpresa tende a ser para cima. Para outubro, a projeção é de um aumento ainda mais expressivo na alimentação do que o verificado em setembro. Ainda que outros componentes da inflação, como o reajuste da conta de luz, possam arrefecer, o mesmo não se espera para os alimentos, que seguem caminho independente e pressionado por fatores próprios.

O impacto não é igual para todos: famílias de menor renda são as que mais sentem a alta, pois destinam uma parcela muito maior do salário à compra de itens essenciais. O economista Arnaldo Lima, da Polo Capital, destaca que, embora a disseminação dos reajustes ainda não seja generalizada para todos os produtos, a pressão sobre o orçamento já é visível e deve se intensificar. Para o produtor rural, o desafio será acompanhar as mudanças de tempo e ajustar o manejo das lavouras para minimizar perdas. Para o consumidor, resta observar quanto dessa pressão chega efetivamente à mesa: setembro foi o primeiro aviso claro, e o que se projeta para o fim de 2026 é uma cesta básica mais cara, com menos poder de compra para quem já tem pouco.

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