Nova Ponte sobre o Rio Yalu será inaugurada nesta quinta entre China e Coreia do Norte; estrutura de 3 km vai substituir antiga ligação como principal rota comercial
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A China e a Coreia do Norte vão inaugurar nesta quinta-feira (15) a Nova Ponte sobre o Rio Yalu, estrutura que se tornará a principal via terrestre de ligação comercial entre os dois países. O anúncio foi feito pela agência estatal chinesa Xinhua, confirmando a realização de cerimônia conjunta de abertura. A obra vinha sendo esperada há mais de uma década: a China concluiu sua parte ainda em 2014, mas a Coreia do Norte não finalizou as vias de acesso e as instalações alfandegárias, mantendo o projeto paralisado até agora. Com cerca de 3 quilômetros de extensão e pistas duplas, a ponte conecta a cidade chinesa de Dandong à cidade norte-coreana de Sinuiju e deve substituir a histórica Ponte da Amizade Sino-Coreana, de pista única, que vinha sendo a rota principal de transporte rodoviário entre os territórios.
A inauguração sinaliza avanço nas relações econômicas após um período de distanciamento provocado por testes nucleares e pelo endurecimento das sanções internacionais. O comércio já vem em recuperação: as exportações chinesas para a Coreia do Norte alcançaram US$ 2,3 bilhões no último ano, o maior valor em seis anos e um aumento de 25% em relação a 2024, embora ainda abaixo dos patamares anteriores às medidas restritivas aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU em 2017. A aproximação com Pequim acontece paralelamente ao fortalecimento dos laços com a Rússia — semanas atrás, a Coreia do Norte inaugurou sua primeira ponte rodoviária sobre o rio Tumen, ligando os dois países, em um movimento que amplia as alternativas de transporte e cooperação externa de Pyongyang.
A China é, de longe, o maior parceiro comercial da Coreia do Norte, mas o governo norte-coreano demonstra cautela para não se tornar excessivamente dependente de um único aliado. A abertura simultânea de pontes com a China e com a Rússia reflete a estratégia de equilibrar vínculos entre os dois grandes parceiros regionais. Desde o encontro entre os líderes dos dois países em 2023, a cooperação entre Pyongyang e Moscou avançou rapidamente, levando Estados Unidos e Coreia do Sul a acusarem ambos de realizar trocas comerciais em desacordo com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU — organismo do qual a própria China e a Rússia são membros permanentes. Os dois países têm questionado publicamente a legitimidade das medidas que aprovaram no passado.
O pesquisador Cho Han-bum, do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, em Seul, sintetizou a dinâmica do relacionamento: "Há sempre tanto cautela quanto cooperação nas relações entre Coreia do Norte e China". A preocupação com a soberania econômica explica, em parte, o atraso de mais de uma década na conclusão da ponte, cuja inauguração tardia poderia, se adiada novamente, gerar tensões desnecessárias entre os governos. Após a pandemia e com a reabertura das fronteiras, a Coreia do Norte busca diversificar e fortalecer suas conexões externas, mantendo ao mesmo tempo a independência de decisão que tem caracterizado sua política externa. A abertura da nova ponte representa, portanto, mais do que uma obra de infraestrutura: é um sinal de que o país retoma contato com o mundo, mas em termos que busca definir por conta própria.
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