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Intensificação de combates no Iêmen corta acesso à ajuda humanitária para 800 mil pessoas; mais de 200 mil foram deslocadas nas últimas semanas

há 23 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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O Programa Mundial de Alimentos (PMA), órgão da Organização das Nações Unidas, alertou nesta quarta-feira (14) que cerca de 800 mil pessoas no Iêmen ficaram sem acesso à assistência humanitária essencial em razão da intensificação dos combates nas últimas semanas. Os confrontos, que opõem os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, às forças do governo iemenita, respaldadas pela Arábia Saudita, se espalharam por diferentes frentes do país, fechando estradas e tornando regiões inteiras praticamente inacessíveis. A cidade de Taiz, terceira maior do Iêmen, é a que registra o maior número de desabrigados e também a situação mais crítica de abastecimento, com rotas de chegada de suprimentos bloqueadas.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), também ligada à ONU, confirma que mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas residências desde o início desta nova fase de violência. O deslocamento massivo sobrecarrega abrigos, comunidades vizinhas e estruturas públicas que já operavam no limite após anos de conflito. Famílias inteiras fugiram de áreas de risco sem levar pertences, dependendo inteiramente de auxílio externo para alimentação, abrigo e atendimento médico. Em alguns distritos, o confronto direto e o fechamento de vias tornaram impossível a entrada de qualquer tipo de socorro, o que agrava rapidamente a situação de populações que já viviam em condições precárias.

O PMA alerta ainda para a iminência de um colapso no abastecimento de alimentos: os estoques de farinha de trigo estão praticamente esgotados e os mantimentos que ainda restam nos mercados locais têm duração estimada muito curta. Sem a possibilidade de reposição por causa dos combates, a escassez deve se aprofundar nas próximas semanas, atingindo especialmente crianças, idosos e famílias que já não têm recursos para comprar comida. A interrupção da ajuda humanitária, que havia sido mantida como uma das poucas linhas de sobrevivência para milhões de iemenitas, deixa agora comunidades sem a garantia mínima de alimentação.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reforçou que os serviços de saúde do Iêmen, enfraquecidos por mais de dez anos de guerra, crise econômica, deslocamentos populacionais e recorrentes surtos de doenças, podem não ter capacidade para atender a um aumento expressivo de vítimas caso os confrontos continuem se intensificando. Hospitais e postos de saúde já operam com falta de equipamentos, medicamentos, água e pessoal. A combinação de violência em expansão, bloqueio de rotas de socorro, esgotamento de reservas de alimentos e colapso iminente da rede de atendimento médico desenha um quadro de urgência humanitária sem precedentes nos últimos anos do conflito.

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