Atleta ucraniano é desclassificado nos Jogos Olímpicos de Inverno por usar capacete com homenagem a atletas mortos na guerra
há 5 horas
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Um atleta ucraniano da modalidade skeleton, Vladyslav Heraskevych, foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026 nesta quinta-feira (12) após uma decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) relacionada ao uso de um capacete personalizado com imagens de atletas e treinadores ucranianos que morreram na guerra com a Rússia, informou a agência Reuters.
Heraskevych, de 27 anos, estava programado para competir na prova de skeleton na manhã de hoje, mas foi impedido de participar da disputa minutos antes de sua primeira descida. Com o capacete exibindo os retratos dos mais de 20 compatriotas mortos desde o início da invasão russa à Ucrânia em 2022, o atleta se recusou a remover ou alterar o capacete, mesmo após conversas com autoridades do COI.
O COI determinou que o capacete violava as normas da Carta Olímpica, que proíbe expressão política, religiosa ou racial nos locais oficiais de competição, decisão que levou à desclassificação do atleta antes de sua participação no evento.
Antes da prova, o COI ofereceu alternativas para que Heraskevych pudesse competir sem ferir as regras, incluindo a sugestão de usar uma braçadeira preta para fazer a homenagem de forma menor no contexto competitivo, mas o atleta insistiu em manter o capacete com as imagens.
Heraskevych já havia utilizado o capacete durante sessões de treino e relatou que a homenagem era uma forma de lembrar dos atletas ucranianos mortos em decorrência da guerra. Em declaração divulgada após a desclassificação, ele afirmou que a decisão representa “o preço da nossa dignidade” e que optou por manter seu posicionamento.
A desclassificação de Heraskevych gerou reação de autoridades ucranianas. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia criticou a decisão do COI, definindo-a como um erro que compromete a reputação da organização, ao passo que ressaltou que o atleta apenas queria comemorar colegas falecidos no conflito.
A disputa em torno do uso de capacetes e outros símbolos de homenagem ou protesto neste contexto intensificou o debate sobre os limites de expressões pessoais e políticas nas competições olímpicas, uma vez que as regras do COI mantêm a neutralidade política como princípio fundamental de sua Carta.
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