top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Azeite produzido na Serra da Mantiqueira é eleito o melhor da América do Sul

há 1 hora
6 min de leitura
Azeite Carcará, produzido entre Cruzília e Aiuruoca, conquistou o principal prêmio sul-americano no EVO IOOC 2026, na Itália, em sua primeira safra comercial.  Foto/ Crédito: Ricardo Melo
Azeite Carcará, produzido entre Cruzília e Aiuruoca, conquistou o principal prêmio sul-americano no EVO IOOC 2026, na Itália, em sua primeira safra comercial. Foto/ Crédito: Ricardo Melo
A Serra da Mantiqueira mineira acaba de ganhar destaque no cenário internacional da olivicultura. O Azeite extravirgem Carcará Blend, produzido na Fazenda Cruzziléia, localizada entre os municípios de Cruzília e Aiuruoca, foi eleito o melhor azeite da América do Sul no EVO IOOC 2026, realizado na Itália. O reconhecimento veio na primeira safra comercial do produto, que também conquistou medalha de ouro na competição e ficou entre os cinco finalistas da categoria Melhor Blend do Hemisfério Sul. O prêmio Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America foi concedido ao azeite de maior destaque da América do Sul entre monovarietais, blends e orgânicos. A conquista coloca a produção da Serra da Mantiqueira em evidência e reforça o crescimento da olivicultura mineira, que vem transformando a região em uma referência nacional na produção de azeites de alta qualidade.

Da tradição mineira a um novo produto de excelência

Fotos/ Crédito: Ricardo Melo


Minas Gerais construiu sua identidade gastronômica em torno de produtos como café, queijos e cachaça. Para a produtora rural e sócia proprietária do Azeite Carcará, Thaís Junqueira Maciel Campomizzi, o reconhecimento internacional mostra que o estado pode ampliar ainda mais esse patrimônio.
“O reconhecimento do Azeite Carcará e de outros azeites produzidos especialmente na Serra da Mantiqueira mineira mostra como o estado tem capacidade para explorar todo o seu potencial, seja pelo café, pelo queijo, pela cachaça, pelos vinhos e agora também pelos azeites de altíssima qualidade”, afirma.
Segundo Thaís, o desenvolvimento da olivicultura em Minas Gerais é resultado da união entre iniciativas de produtores e décadas de pesquisa.
“Falando da olivicultura de Minas, esse resultado é uma resposta muito positiva a iniciativas independentes somadas à pesquisa pública do estado por meio da EPAMIG. Foi no campo experimental realizado na cidade de Maria da Fé que foi introduzida e estudada a produção de oliveira em Minas, o que abriu caminho para produtores como nós, do Azeite Carcará”, explica.
De acordo com a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assolive), a produção mineira deve alcançar entre 250 mil e 300 mil litros de azeite em 2026.
O objetivo, entretanto, não é apenas aumentar o volume produzido, mas consolidar a reputação do azeite mineiro pela qualidade.

Fotos/Crédito: Jorge Bolla Vignes


Produção também representa oportunidade econômica
Além do reconhecimento gastronômico, a expansão da olivicultura representa uma oportunidade econômica para o estado. O Brasil está entre os grandes consumidores e importadores mundiais de azeite, e uma parcela significativa do produto consumido no país vem do exterior.
Nesse cenário, a produção nacional de azeites extravirgem de qualidade pode representar geração de renda e agregação de valor no campo.
“Cada litro de azeite extravirgem de qualidade produzido aqui é renda que fica no campo mineiro. Ganhar esse prêmio já na nossa primeira safra comercial do Azeite Carcará diz muito sobre toda a região”, destaca Thaís.
A localização dos olivais é um dos fatores apontados pela produtora como determinantes para o desempenho alcançado. A Fazenda Cruzziléia está situada entre Cruzília e Aiuruoca, em uma região de aproximadamente 1.200 metros de altitude. A combinação de altitude, amplitude térmica e características do solo cria condições favoráveis ao desenvolvimento das oliveiras.
“Primeiro, vale destacar o fato de estarmos entre duas cidades altas da Serra da Mantiqueira: Cruzília e Aiuruoca. Temos altitude. Nosso olival está a cerca de 1.200 metros. Além disso, temos boa amplitude térmica entre o dia e a noite, o que é favorável ao cultivo, permitindo que a planta complete seu ciclo de produção”, explica Thaís.
O solo da propriedade também apresenta boa drenagem, característica importante para o desenvolvimento das raízes. O engenheiro agrônomo Hiran Villas Boas, responsável pela assistência técnica e pelo manejo dos olivais, destaca justamente a importância dessas condições. Segundo ele, o acúmulo das horas de frio necessárias ao ciclo das plantas e a drenagem proporcionada pelo solo contribuíram para o bom desenvolvimento da cultura na propriedade. As características naturais, porém, são apenas parte do resultado. O manejo dos olivais é realizado durante todo o ano, com acompanhamento técnico.
“O cuidado agronômico que fazemos acontece durante todo o ano, não só na safra. Um manejo cuidadoso dos pomares, com respeito à natureza e harmonia com as plantas”, afirma Thaís.
A colheita é feita manualmente e as azeitonas são retiradas ainda verdes, no ponto considerado adequado de maturação. O procedimento busca preservar a integridade dos frutos e reduzir o risco de fermentação, processo que pode comprometer a qualidade do azeite. Depois da colheita, a velocidade também é fundamental. As azeitonas são transportadas para um lagar próximo, em Aiuruoca, onde são processadas poucas horas depois. A extração no mesmo dia da colheita contribui para preservar o frescor e as características sensoriais do produto.

Qualidade aparece nos números
O cuidado adotado durante o cultivo, a colheita e a extração também se reflete nos resultados das análises realizadas no azeite. O Carcará apresentou 0,26% de acidez e índice de peróxidos de 1,81. Na avaliação sensorial, o blend apresentou aroma herbáceo de alta complexidade, com notas de amêndoa verde, abacate verde e folha de tomate, além de amargor e picância equilibrados. O azeite é produzido a partir de quatro variedades de azeitonas cultivadas na própria fazenda: Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.
Oliveiras chegam a produzir 40 quilos de frutos
O desempenho dos olivais também chama atenção pela produtividade de algumas árvores. Na propriedade, algumas oliveiras chegaram a produzir aproximadamente 40 quilos de azeitonas, resultado considerado expressivo diante de uma referência de aproximadamente 10 quilos por árvore em condições gerais. Como cada litro de azeite exige cerca de 10 quilos de frutos, a produtividade das árvores representa um fator importante para a expansão da produção.
Atualmente, a Fazenda Cruzziléia possui aproximadamente 1.500 oliveiras.

Projeto familiar começou em 2017
A história do Azeite Carcará começou em 2017, quando o primeiro pomar foi plantado como parte de um projeto familiar. A iniciativa nasceu da intenção de aproveitar as áreas da propriedade de acordo com sua vocação agrícola. O interesse pela produção de azeite surgiu durante o período em que Thaís e o marido viveram na Andaluzia, na Espanha, uma das principais regiões produtoras de azeite do mundo. Ao retornarem ao Brasil, identificaram características favoráveis na Serra da Mantiqueira.
“De volta ao Brasil, identificamos que o solo drenado e o clima da Serra da Mantiqueira apresentavam características favoráveis ao cultivo das oliveiras, onde iniciamos um projeto paciente que hoje nos alegra tanto com o alcance e reconhecimento internacional”, conta.
As mudas foram adquiridas em Maria da Fé, município mineiro reconhecido pelas pesquisas relacionadas à olivicultura. A EPAMIG desenvolve estudos sobre a cultura no estado desde a década de 1970. A primeira colheita experimental ocorreu em 2024, quando foram produzidos apenas 20 litros de azeite. Em 2026, cerca de 500 árvores entraram em produção e resultaram em aproximadamente 900 litros de azeite extravirgem, volume considerado expressivo para uma cultura ainda jovem na região.
“Consideramos os resultados ainda mais expressivos por este ano marcar nossa primeira safra comercial de um trabalho de fato artesanal em uma colheita muito bem sincronizada com a produção que levou mais de 30 dias”, afirma Thaís.
Reconhecimento internacional começou na Turquia
O título conquistado na Itália não foi a primeira premiação internacional do Carcará em 2026. Em abril, antes mesmo de chegar às prateleiras, o azeite recebeu medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia. A competição reuniu 521 azeites de mais de 25 países, avaliados em degustação às cegas. Pouco depois, veio a participação no EVO IOOC 2026, na Itália. A competição reuniu 786 amostras de 32 países, avaliadas por 32 jurados de diferentes nacionalidades em degustação às cegas.
O Brasil participou com 139 amostras e conquistou 98 medalhas de ouro e 29 de prata. Entre os azeites medalhistas de ouro, os produtos com as maiores pontuações avançaram para a fase final. Foi nessa etapa que o Carcará foi escolhido como o Melhor Azeite da América do Sul.

Produção artesanal preserva identidade familiar
Mesmo com o reconhecimento internacional, a produção mantém características artesanais. Depois da extração, cada garrafa é rotulada manualmente pela família dos proprietários. A proposta é preservar a identidade do projeto, que começou como uma iniciativa familiar e chegou ao mercado internacional após anos de desenvolvimento dos olivais.
As conquistas na Turquia e na Itália também reforçam a capacidade da Serra da Mantiqueira de produzir azeites competitivos em concursos internacionais.
Premiações do Azeite Carcará
  • Medalha de Ouro – Anatolian International Olive Oil Competition 2026 – Turquia;
  • Medalha de Ouro – EVO IOOC 2026 – Itália;
  • Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America – Melhor azeite da América do Sul entre monovarietais, blends e orgânicos – EVO IOOC 2026;
  • Finalista entre os cinco melhores na categoria Melhor Blend do Hemisfério Sul – EVO IOOC 2026.

Onde encontrar o Azeite Carcará:
  • O produto pode ser adquirido diretamente pelo WhatsApp (31) 9 9621-9914
  • Belo Horizonte:  Padaria Cumpanio; Padaria Bakery; Casa do Porto (Cidade Jardim); Copa Cozinha Savassi; Minas Demais; Empório Ananda (Mercado Central); Empório Royal (Mercado Distrital do Cruzeiro); Empório Eustáquio (Mercado Distrital do Cruzeiro); Padaria Bonomi.
  • Maria da Fé: Assolive
  • Aiuruoca: Armazém Macieira.
  • Bom Despacho: Villa Monte.
  • Cruzília: Queijos Cruzília; Paiolzinho; Mercearia Chique, bem.
  • Nova Lima: Empório Paraíso; Padaria Forno e Arte.
  • São João del Rei: A Queijaria.
  • Tiradentes: Empório Ouro Canastra.
  • Oliveira: Gambier Empório Artesanal.
  • São Paulo: Mineirada (edifício Copan e Galeria Lapi no bairro Pinheiros)
  • Santos: Empório Diga Cheese LTDA

Produção: Gazeta de Varginha

 

Comentários


Gazeta de Varginha

bottom of page