Brasil afirma que não aceitará incluir o Pix nas negociações para evitar tarifas dos EUA
há 4 horas
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O governo brasileiro informou aos Estados Unidos que não pretende abrir mão do Pix nem aceitar mudanças no sistema de pagamentos instantâneos como parte das negociações para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A posição foi apresentada durante reuniões entre representantes dos dois países em meio à investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), baseada na chamada Seção 301 da legislação americana. O procedimento analisa práticas comerciais adotadas pelo Brasil e poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo país aos Estados Unidos.
Entre os pontos avaliados pelos americanos estão tarifas comerciais, regras de acesso ao mercado brasileiro e o funcionamento do Pix, que passou a ser alvo de questionamentos por parte das autoridades norte-americanas. O governo brasileiro, entretanto, classificou o sistema como inegociável e retirou o tema das discussões comerciais.
Na quinta-feira (2), o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e rejeitou qualquer possibilidade de negociação envolvendo o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Segundo a reportagem, o governo brasileiro apresentou aos americanos um plano alternativo para atender outros pontos da investigação comercial. Entre as propostas discutidas está a possibilidade de redução de tarifas cobradas pelo Brasil sobre aproximadamente 300 tipos de operações comerciais envolvendo os Estados Unidos.
As negociações também abrangem temas como tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e medidas relacionadas ao desmatamento ilegal. Esses pontos permanecem em discussão entre os dois governos na tentativa de evitar a adoção das novas tarifas comerciais.
O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil e se tornou o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros desde seu lançamento em 2020. O sistema é considerado pelo governo federal um instrumento estratégico da infraestrutura financeira nacional e, por isso, não deverá integrar eventuais concessões nas negociações comerciais com Washington.
O debate em torno do sistema de pagamentos também ganhou dimensão política no Brasil. Nos últimos dias, declarações de integrantes do governo e da oposição ampliaram a discussão sobre a soberania do país sobre o Pix e sobre os impactos que um eventual tarifaço norte-americano poderia provocar na economia brasileira e nas relações comerciais entre os dois países.
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