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Brasil avança na luta contra o câncer, mas pacientes do SUS ainda terão de esperar por nova tecnologia

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura
Reprodução
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O Brasil deu um importante passo para implantar a protonterapia, uma modalidade de radioterapia de alta precisão utilizada no tratamento de casos específicos de câncer. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou um financiamento de R$ 132,6 milhões para a construção do primeiro centro especializado do país. A unidade, que receberá o nome de Centro de Protonterapia Mário Kroeff, será instalada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Apesar do anúncio, a nova tecnologia ainda levará anos para beneficiar pacientes. O centro permanece na fase de engenharia, enquanto o equipamento começa a ser fabricado na Bélgica. A previsão é que a máquina chegue ao Brasil apenas no segundo semestre de 2029 e, após instalação, testes e liberação para funcionamento, os primeiros atendimentos ocorram somente em 2030.

Mesmo após a inauguração, o acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de novas etapas. O Ministério da Saúde ainda precisará decidir sobre a incorporação da protonterapia ao sistema público, definir quais pacientes terão prioridade e estabelecer os critérios de encaminhamento, além de avaliar questões relacionadas ao custeio de transporte e hospedagem para pessoas que precisarem viajar até o Rio de Janeiro. Atualmente, pacientes brasileiros que necessitam desse tratamento precisam buscar atendimento no exterior, com custos estimados entre R$ 765 mil e R$ 1,02 milhão por tratamento.

O projeto será administrado pela Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE), em parceria técnica com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Somado à contrapartida de R$ 82,4 milhões da fundação, o investimento previsto chega a R$ 215 milhões, enquanto o custo total estimado para implantação do centro é de aproximadamente R$ 400 milhões. O projeto prevê que, futuramente, ao menos 60% da capacidade de atendimento seja destinada à rede pública, embora isso ainda dependa de aprovação do Ministério da Saúde e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A protonterapia é uma forma de radioterapia que utiliza prótons para destruir tumores. Diferentemente da radioterapia convencional, que emprega fótons capazes de atravessar o corpo e atingir também tecidos saudáveis, os prótons concentram praticamente toda a radiação no tumor e interrompem sua trajetória logo após atingir o alvo. Essa característica permite reduzir a exposição de estruturas saudáveis ao redor da área tratada, tornando o procedimento mais preciso em situações específicas.

Especialistas ressaltam, porém, que a protonterapia não substitui a radioterapia convencional nem representa a melhor opção para todos os pacientes. O principal benefício ocorre em crianças com tumores localizados próximos ao cérebro, à medula espinhal e a outros órgãos sensíveis, já que a redução da radiação sobre tecidos saudáveis pode diminuir sequelas futuras, como alterações no crescimento, problemas hormonais, déficits cognitivos, infertilidade e até o risco de desenvolvimento de um segundo câncer provocado pelo tratamento.

O centro será inicialmente voltado ao atendimento de sete tipos de câncer infantil que exigem maior precisão terapêutica, incluindo meduloblastoma, retinoblastoma e glioma. A estimativa do projeto é que cerca de 15% dos aproximadamente 8,6 mil novos casos anuais de câncer em crianças e adolescentes no Brasil possam ter indicação para esse tipo de tratamento. Adultos com tumores complexos, localizados próximos a órgãos vitais ou que necessitem de uma segunda irradiação também poderão ser atendidos, desde que a demanda pediátrica seja atendida prioritariamente.

Embora estudos apontem redução dos efeitos colaterais e melhor preservação dos tecidos saudáveis, ainda não há comprovação definitiva de que a protonterapia aumente as chances de cura em relação à radioterapia convencional. O projeto prevê ainda a ampliação da estrutura com uma segunda sala de tratamento, mas especialistas avaliam que seriam necessárias pelo menos cinco salas para atender toda a demanda pediátrica nacional. Além da construção da unidade, o desafio será organizar uma rede de encaminhamento capaz de identificar rapidamente os pacientes que mais podem se beneficiar da tecnologia. O funcionamento do centro também depende da conclusão do processo de licenciamento junto à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).

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Gazeta de Varginha

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