Brasileiros que testemunharam queda de Assad na Síria têm expectativas cautelosas para o futuro
11 de dez. de 2024
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Renata Issa, de Curitiba, e Marcela Jacques, de Recife, estão entre os cerca de 3,5 mil brasileiros que vivem na Síria. Ambas se mudaram para o país antes do início da guerra civil em 2011 e permaneceram durante os anos mais intensos de combate. Agora, com a queda do presidente Bashar al-Assad, que fugiu para a Rússia após o avanço das forças rebeldes em Damasco, elas estão cautelosas com o futuro do país, ainda mais com a falta de uma liderança estável.
Apesar das incertezas, Renata e Marcela se sentem aliviadas pelo fim do regime repressivo de Assad, mas ambas destacam as dificuldades da situação. "Ainda não acho que a Síria é um lugar bom para meus filhos crescerem", diz Marcela, que vive no país há 16 anos. Renata, que é parte da minoria cristã, também está otimista, embora reconheça que a transição será complicada e a estabilidade do país ainda seja uma incógnita.
Após a deposição de Assad, a Síria enfrenta uma realidade incerta, com o grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS) assumindo um papel de liderança. Embora o HTS tenha se comprometido a respeitar direitos humanos e a liberdade religiosa, a situação permanece volátil, com vários grupos disputando o controle do país. Renata acredita que a vida na Síria pode melhorar após o fim do regime de Assad, mas ainda há preocupações sobre a instabilidade e os desafios econômicos.
Por outro lado, Marcela vê o futuro com mais reservas, principalmente pela deterioração da economia síria, que deixou cerca de 90% da população vivendo em pobreza. A família dela planeja se mudar para os Estados Unidos em 2025, na busca por um futuro mais seguro e estável.
Enquanto isso, Renata continua em Homs, onde ela e sua família tentam manter uma vida estável, com seu consultório de odontologia e o trabalho do marido, engenheiro. Para ela, deixar a Síria seria uma decisão difícil, já que, apesar das dificuldades, a família tem vivido com relativa segurança.
A transição política na Síria e as questões de liderança e controle territorial ainda são incertas, mas tanto Renata quanto Marcela esperam que a situação melhore gradualmente, embora de forma cautelosa.
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